terça-feira, 31 de março de 2009

O inesperado valor das palavras

Eu vejo o outro lado de forma natural. Quando se tenta estender a mão esquerda, o coração bate de tal força com outra energia. É perigoso. Quando se tenta estender a mão direita, a razão impõe a magnífica retórica, nem tanto retórica. É arriscado. E assim tentamos realizar a tão querida harmonia, os movimentos cheios de energia, para todo lado que se vá. Energia.

Há misterios escondidos no meio das palavras. Como eu disse para minha prima que achava que a palavra tem poder. Poder não na palavra, mas no poder que depositamos nela. Então o poder está em nós. Não importa que mão vamos estender, se da razão ou do coração, tudo é energia. Mas o resultado sempre será diferente. Há mistérios nas palavras. Há mistério nas minhas palavras. Há palavras nos meus mistérios. Há misteriosas palavras em mim.

Tentei olhar no fundo dos olhos. Ver a plenitude de uma boa interpretação. Falhastes. Então eu pude julgar para onde levaria minha energia. Pude ver com mais clareza como gastaria meu tempo, ou o que penso dele. Sempre julgamos sermos capazes de fazer algo assim sozinhos. Então foi minha vez de falhar. E falhar me fez ver que eu estou cada dia mais feliz com minhas falhas. Eu falho cada vez mais na minha felicidade. Mesmo assim eu estou feliz.

Então, durante a chuva, eu levantei a mão direita.
Cheers!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Ao Rei

Na primeira vez que eu quis escrever no seu blog foi para mostrar a minha raiva. Você escrevia por aqui coisas sobre mim, coisas que me irritavam pela forma que você conduzia as coisas. Você me fazia parecer ser tão má... mas depois de algum tempo eu entendi. Você precisa ter sempre em sua vida antagonistas, e eu era o alvo perfeito. A megera sempre calada e disposta a perdoar todas as suas faltas. Eu era a sua melhor inimiga.

Suas mensagens supostamente enigmáticas me davam medo. Eu tinha dúvidas, me perguntava: será que ele está ficando louco de vez? Mas no fundo era sempre uma forma de "chamar atenção" para si e para as suas velhas idéias. Eu entendo quando você fala em "roundabout". Tudo se repete, tudo parece uma rotina chata, "simples sombras do que já foi um dia", como você diz. Mesmo assim eu continuava tendo medo, porque era e é tudo um grande teatro. E você não desiste de coisas velhas.

Eu gostaria de falar tanta coisa por aqui. Contar sobre um homem apaixonado, um homem que "não existe". Eu gostaria de quebrar um pouco o enigma que se encontra em você. Dizer coisas que eu não compreendo na sua alma. Gostaria de possuir seu dom com as palavras, ainda mais agora, que estamos tão longe...

Um dia um homem me disse: procure minhas falhas. Ele estava tão cego de paixão, achava-se indefectível. Eu só pude acompanha-lo pelo tempo que suportei. As nossas vidas eram tão diferentes, mundos diferentes mas iguais. Ele acreditava que não conseguia enxergar seus próprios defeitos. Até que ele descobriu sozinho.

O que mais amo em você é sua capacidade de se tornar tantas pessoas diferentes. Nunca é a mesma coisa com você, e isso me surpreende até hoje em dia. Você não busca ser perfeito, você busca ser melhor! E isso eu nunca vou esquecer do teu ser. Morarás sempre dentro de mim. Serás sempre um amigo das palavras, e meu protetor.

J.A.W.A.

terça-feira, 17 de março de 2009

Sempre morna

O enigma que nos aproxima é algo insondável para mim agora. Depois de anos eu só posso dizer que tudo que vivi ao teu lado é algo do passado que eu gostaria muito de esquecer. Logo nos momentos mais felizes, e numa época dessas de despedidas, você me faz o exercício de autopiedade tão comum. Somos velhos e falhos.

Eu me torno cada dia melhor, mas a saudade no meu coração é muito grande. Vou para cama pensando em tantas coisas, em tanta gente. Eu sei que eu posso ser tão feliz quanto pareço ser, mas o caminho da auto descoberta é sinuoso. Mesmo assim fico tranquilo porque não estou sozinho. Eu tenho pessoas que me compreendem, pessoas que "sentem" tudo aquilo que eu sinto.

O mundo é uma troca initerrupta e incessante. Não é, Renata?
Cheers!

terça-feira, 10 de março de 2009

Escape

A urna estava vazia, ninguém havia notado, na calada da noite, os ladrões que nos roubaram. Meu grande medo havia se dissipado. Sem provas não havia criminoso. E criminoso bom é criminoso morto.

Noites resumem-se por bebedeiras initerruptas. Mais uma vez.
Cheerz!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O cheiro d'alma

Eu tenho a sensação de que estou no caminho certo. Tanta gente assiste sua própria vida passar pelo seus olhos, imaginando como seria, querendo sempre algo diferente do que tem. E eu que me esforço pra não ser "tanta gente" estou definitivamente no caminho certo. Meus sonhos já voltaram a "falar comigo". Minha reclusão está funcionando. Consegui afastar toda aquela legião dos meus domínios, rs.

Eu quero mesmo conhecer novos ares. Estou sempre me dando novas chances. Chega de pensar que estou longe de mim mesmo pelo o que penso. O que quero é me libertar. Quero ter um amor pra mim. Quero o bom senso de volta. Voltar a praticar o impossível. Como eu fazia no filme 8mm que eu achei, com tanta saudade que me deu.

A magia daquela pessoa ainda está na minha essência. Pena que está tão difícil assim de falar com ela. Tudo o que eu queria era reencontra-la, e sentir o cheiro dela novamente. Eu quero a magia de volta, com toda a poesia de passar a madrugada acordado pensando nela, com toda a maravilhosa idiossincrasia que isso me causa.

Vivemos dias melhores. Volto a enxergar acizentado. Dizem que eu sou. Dizem que eu não sou. Dizem que sou eu. Dizem muito a meu respeito. A Flora diz. Eu digo. E o que dizemos nos mostra que vivemos dias melhores.

Flora, minha próxima carta vai ser especial, mesmo que qualquer pessoa pense o que quer que seja. Temos direito de pensar. Mas a carta vai ser especial. Espere, e tudo se resolverá.
Cheers!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Outro recado

Um pouco de dor, como nos velhos tempos. Você não se acostuma com meu humor tão ácido, e o teor etílico de meu hálito expurgando os demônios durante a mesa. Estás tão velha assim... Aparentemente um pouco ultrapassada, mas mesmo assim, boa tacada!

Eu te propus umas palavras. Não, eu pedi que você escrevesse algo para mim, algo que eu pudesse publicar. Você não tem colhões, mas adorou a ideia. Mesmo que ela seja tão novidade quanto o fato da roda ser redonda. Mesmo assim você ousou perder seu tempo pra escrever algo para mim, e algo que eu pudesse publicar!

É claro que eu achei seus manuscritos (!) escondidos, provas mais-que-suficientes de seu temor diário de ser esquecida nas minhas muitas caixas de sapato. Eu os achei, e alguns eu queimei. Eu sou mesmo um pequeno multiverso indecente, com minha pequena coleção porno tão bem enumerada na sua prosa, rsrs.

Mande sua coragem pra lua. Me mande seus escritos. Eu publico.
Cheers!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Roundabout II

O rosto miserável deu lugar ao mais feliz, a esperança encheu os seus olhos com uma luz meio parda, indistinguível à luz do dia. No meio de um temporal, talvez ele saísse para se molhar, arriscando ficar doente e morrer, mas isso está se tornando passado, mais uma vez. Apesar disso, ele não consegue entender como o que está se tornando passado tornou a voltar a se tornar passado...
Cheers!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Vozes II

O problema estava na sua procura. Ousavas demais, elas se cansam. Você deveria ser mais objetivo. Mas havia muito o que considerar, você sabe disso! Não sei disso não, eu sei que ela lhe escorreu pelos dedos, e você foi fraco. Como fraco, eu tornei tudo muito mais fácil. Não, você dificultou as coisas. Eu não creio. Amanhã você vai ser só um amiguinho dela. Você fala como se isso fosse ruim! Isso é péssimo! Não é não! O que você espera que aconteça entre você, um covarde, e uma mulher decidida, independente? O que tiver que acontecer... Isso nunca, o que vai rolar é muito diferente do que você quer. Está bem, então você está sempre certo, conheces bem a mente delas. Conheço! Sim, conhece... Conheço sim! É, eu concordeeei. Mas não acreditooou... Sim, eu acrediteeei sim! Você é um tolo, fraco, idiota e resmungão! Cara, cala a sua boca, eu fiz tudo que eu podia, não passo por cima dos limites dos outros não! E está onde está. E onde estou então? Na meeerda! Hahaha, isso não é verdade, eu estou bem feliz, pra falar a verdade! Feliz com meia dúzia de oportunidades e dezenas de dúvidas cruéis, dúvidas que estão te corroendo por dentro, desesperado por um novo encontro. Sim, feeeliz, e isso te deixa pra baixo, você quer ver minha derrota, seja lá qual for o assunto. Você é a imaaagem do derrotado, qualquer um que olhe pra você vai ver isso! Se isso fosse verdade, onde estava você na hora em que eu estava lá, me dando bem? Eu estava rindo de você, porque minha ojeriza é tão grande que ultrapassa qualquer conselho. Ah, conselho? Sim, é o que você precisa, conseeelho! Você é o sábio agora é? Sou. E acha que eu vou conseguir algo com alguém com essa tua sabedoria chinfrim, meia boca, cheia de preconceitos, machistas e... Seu perdedoooooor, perdedooooor! Ah meu, cala a boca, você é um fracassado que está a anos entubado. Quem está entubado? Você! Entubada é tua coraaagem seu fraco, que você jamais vai conseguir nada com ela. Entubaaado siiiim, fraco, doente, viciaaado. Pelo menos eu me divirto, hahahahaha. Diversão que custa tua vida desgraçada. Hum, está preocupadinho comiiigo ééé? Apenas querendo um pouco de paz na minha mente, um tempo desse pandemonio desgraçado. Quer ser feliz né, ô sonhador? Todos querem. Então te maaata de nooovo, te deeeixa levaaar. Deixo sim. Vai lá. Vou. Então vai. Quando chegar a hora. Oras, vai agooora. Não dá agora. Então fica calado seu otário. Tá puto porque no fim eu tenho razão né? Não, eu comecei a entender o final desse jogo. Jogo? É, jogo. Que jogo? O da sedução!
Cheers!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O Sexto Sentido

Um dia eu descobri que havia um mundo além daquilo que estamos habituados a ver. Um mundo de coisas, dum conhecimento tão grande e lindo. Daí é que eu tirei inspiração para criar o cenário de Solari, de um mundo que nos não enxergamos, mas que sempre esteve ali. As pessoas não se importam com aquilo que elas não conhecem.

Paulo, um dia, mas sobretudo dentro de mim, foi um guia nesse mundo que eu havia descoberto sozinho. Eu estava com medo, entendia tão pouco de minhas forças. Ele dosou tão bem as palavras. Me mostrou como era entrar nesse mundo, obedecer as suas regras e criar empatia com seus personagens. Naquela época eu amava o teatro. Então eu aprendi, naquelas palavras, o significado de estar aberto ao mundo mais do que querer o mundo aberto a você.

Mara, um dia, mas sobretudo dentro de mim, foi uma bruxa que me inspirou a olhar pela fechadura. A realidade é uma sala, existem várias portas de saída, algumas mais dignas que as outras, outras mais ocultas que todas as demais. Mas sempre que você olha para a fechadura, percebe que estamos onde estamos muitas vezes porque não sabemos o que há atrás das outras portas. Então eu aprendi, naquelas lições, que nos também somos salas cheias de portas, e que atrás de cada porta há uma pessoa. Estamos conectados por portas.

Renata, hoje em dia, mas sobretudo por comunhão de sentidos, é uma amiga que aceitou tudo que eu vi e vejo, tudo que eu possuo e o que eu não tenho. Compartilhar a visão de um mundo é tarefa difícil, mas ela não precisa muito de palavras. Compreende que estamos além de uma breve interpretação dos sentidos da carne, e isso me deixa tão feliz. Eu percebi, e me alegrei, que o medo me deixou, eu confio nela, e ela em mim. O mundo fala conosco, e percebo que eu já a faço falar com o mundo. Então eu aprendi, por meio do ato de ensina-la, que meus dons nunca são só meus, eles pertencem a todos. Assim eu me conecto, eu abro as portas.

Ontem, numa mesa de bar, ao ar livre, eu ouvi uma pessoa falar de um dom. Um dom que nos liga a esse mundo a que me refiro. Um dom que sei, todos temos. Mas ali, naquele momento, pela simples menção, minha mente se voltou às lembranças dessas pessoas que descrevi acima. E assim eu lembrei de tudo que eu aprendi, e como foi bom.

Conheci a Patricia. Era ela quem disse ter esse dom. Minha prima Glenda, em seguida, afirmou ter também, um maior. Bobagem, os dons não são mensuráveis. Mas era Patricia quem me interessou, logo por tudo o que ela disse de si. Logo por todas as palavras inaudíveis com os ouvidos, mas perfeitamente audíveis com o coração. Há algo mágico nela. Agora eu posso dizer. Meu sexto sentido me diz coisas. Coisas que não me dizia a anos.

Esse final de semana foi ótimo.
Cheers!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Evidência Nº 3

A sua senha do MSN é a mesma da minha.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O uso básico da razão

O cupido se enganou mais uma vez. Ele fez a mocinha ir no caminho do vilão, e o mocinho decapitou-se por isso. O pai do vilão não queria uma nora tão boazinha e expulsou o casal de sua casa. No caminho, a mocinha viu o corpo do mocinho decapitado. O vilão discursou sobre a maneira certa de se esquecer o passado. A mocinha levou o vilão pra casa, e eles transaram.

Onze anos depois ela tinha quatro filhos pra criar, e nenhum tostão no bolso. O vilão está preso, e contando os dias pra sair. A esperança da mocinha é um dia encontrar com o maldito cupido e acertar as contas. Nem que seja na outra vida.

E eu só observo.
Cheers!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Evidência N° 2

Treze chamadas não atendidas suas no meu celular.

Rebordose analítica

Eu dava sempre o último passo, dois a mais que o permitido. Naquela época era risível cometer tantos erros e não arrepender-se de nada. Era risível também a maioria das coisas que eu falava sem domínio do que se tratava. Esperava mudança, absoluta mudança, meus valores eram moldados aos poucos. A mudança trazia incertezas. Viver dá um cansaaaço...

A minha descrença exarcebada nos limites das pessoas me fez ultrapassar barreiras e aprender com aquilo. Carrego máculas no meu ser que é algo sem sentido, que as vezes eu olho e não compreendo. Um jogo, eu achava defeitos, e me devolviam tanto desprezo. Não é normal isso, é?
Cheers!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Evidência Nº 1

Liguei o retroprojetor e ele exibiu as fotos do passado.
Cheers!

sábado, 31 de janeiro de 2009

A Ópera Distante

O teu sorriso é meu. A minha imaginação é um mundo inteiro de imagens. E mesmo assim eu me perco todo dia inventando uma forma nova de te alterar, de te deixar tão próxima e ao mesmo tempo mais perto. Nossos amigos não nos encaram mais quando estamos juntos. Eles desconfiam da gente sempre que fazemos planos. Eles não querem mais a gente.

Eu não desejo mais o seu bom humor, mas me divirto com sua ira. Daí eu penso coisas sobre você, que aprendi somente por te contrariar: você sempre atende o telefone quando está com raiva, ainda mais se o número no BINA for o meu. Você está sempre lendo algum livro, mesmo que não esteja. A sua mãe te liga durante a madrugada, e você sempre chora durante a conversa. Seu pai sempre te liga antes do almoço, e você sempre desliga alegando estar com muita fome.

Algumas coisas de você eu não conheço. Ainda não está dentro de mim. E eu gostaria de saber se você faz idéia de que eu estou constantemente te sondando. E se eu estou mesmo em você...
Cheers!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Maledicencia

À distância ela me parecia uma lembrança, uma boneca de porcelana, tão usualmente fabricada, branca. Os dias e anos iam passando por ela e só deixavam a impressão que ela era criança. Eu não a alcanço na prateleira de meus sonhos. Eu ganho...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Incorreto

O meu novo romantismo inclui flores e essências caras, uma música neo clássica ao fundo, e também uma boa garrafa de vinho. Algumas palavras ludibriantes e uma quase ênfase nas palavras mais adocicadas. Um pequeno luxo o lounge, pouca luz, e a inebriante dose de conhaque que você me ofereceu, tudo isso permitiu aos sentidos uma maior entrega, uma conquista. Movimentos lentos, um abraço, um beijo no seu pescoço, a certeza de que as mãos estavam tão sugestivas.

Naquela noite eu não havia pensado em ti como uma esposa, mas simplesmente como uma mulher. A diva da noite obstinada em me realizar. E eu, teu homem, era o esposo perfeito numa obra prima que via espelhado em teus olhos. Perante ti a alma se aquietou. Meu corpo é que se danou, uma noite inteira. A garrafa de vinho em pouco tempo fazia parte de nos, e uma sensação de que éramos uma completude desde nosso início.

Tudo começou porque você ainda me ama. E eu ainda a desprezo. Tudo começou porque eu não consigo impedir que você entre na minha alma e seque todo meu vigor. Suas palavras me agridem, e as minhas te enganam enquanto isso. A gente havia prometido não se permitir fazer promessas, se não quebrássemos a única que nos unia. A única que nos fazia tolerar sentir tanto um pelo outro, e não se permitir. Eu começo a achar tudo complicado.

Tudo começou com uma briga banal. A gente disse muita coisa. Como sempre, as coisas sairam do sentido quando começaram a fazer novo sentido. Você entende? A gente descobriu um mundo novo e brincamos de sermos somente o que nos permitíssemos ser. Só por uma noite. Mesmo após a briga.

Mesmo após a briga.
Cheers!

sábado, 24 de janeiro de 2009

A Honra

FELIZ ANIVERSÁRIO
PEQUENO ESCUDEIRO



o futuro é nosso!

Chorus

A alma de coisa alguma, a alma pequena e nua. A alma. Na alma. Hum, eu penso. Eu acho. Eu sempre acho. Da alma saem palavras. Não, somente frieza. Talvez.

Sinto muito pelo seu vestido. As flores é que são de vidro. Você não será sempre jovem. Me matar? Como segurar meus pensamentos. Esvazio a mente, não dá. Não dá!

O orgulho fez mais uma vítima ontem. Eu acho que não fui eu. Semprejovem para sempre, eternamente. Cheia de razão, não me deu bola. Não não não!

Pequena ópera, ojeriza dos homens comuns. Sou eu, no seu leito, ávido por novas histórias. Minha mania de palavras perfeitas, e você tão liberal em suas palavras cruzadas. Eu não entendi! Quem é que gostaria de entender. Aqui é tão vazio...
Cheers!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Quer quanto por ela?

Falávamos línguas diferentes. Eu dizia "vamos ficar em casa", ela dizia "quero comer num fast food". Eu dizia "vamos parar de brigar" e ela respondia "eu não estava brigando, seu idiota". Falávamos a mesma língua. Eu suspirava "um dia... quem sabe?" e ela retrucava "porque não agora?". Eu dizia "te odeio" e ela "eu também". Eu setenciava "vou morrer sozinho" e ela dizia "ainda bem".

Não somos feitos somente de opostos. Já tive mulheres tão mais contrárias à mim, algo que eu só admitia por poucos motivos, grandes merdas. É pertubador saber que ainda ontem eu pensava em como nos saímos falhos em admirar um ao outro sem emitir opiniões. Ela me faz errar, eu a faço acertar. Porque sempre um dos lados pende a balança para baixo?
Cheers!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Melhor dizer que sim

"Do alto dava para ver o pequeno jardim de ideias, numa profusão de palavras e poucas coisas. Do outro lado, voltando-se para o lado sul, havia um pântano de sentimentos. Eu havia ficado admirado com a impressionante beleza do jardim, mas meu interesse pelo pântano de sua mente era maior. Desci a escada sem cuidado algum. Não importava se eu ia cair, nenhuma queda me mataria."

Com essas palavras eu comecei a te deixar louca. Com elas eu comecei a criar o labirinto que você ousou entrar, tentando me buscar. Quanto engano. Eu não queria ser encontrado, e por isso eu deixava cada vez mais rastros, falsos caminhos, luzes lúgubres e sons inarmônicos. Você se perdia, e se desesperava, implorava para sair. Mas já era tarde. O meu pântano é mais assustador que o seu. Não adiantaria gritar por mim, eu gritava no mesmo tom, e não nos ouvíamos...

A um passo da completa insensatez, você retirou de mim a mais horrenda cria de mim, uma flor, minha poesia, agora marcada, fadada ao fim. Eu te dava os meus versos e te acalentava. Seguias o teu caminho dentro de mim, o pântano, com mais esperança e mais firmeza no passo. Beirando a loucura eu não havia notado a tamanha estupidez de meu ato: ajudava justamente a minha caçadora! Enquanto isso, teu pântano e teu jardim eram cada vez mais amistosos comigo. Eu havia me tornado um só dentro do teu ser.

Pena que você não perceba que, mesmo perdida dentro de mim, o pântano, eras parte de mim. Se você saísse, todas as armadilhas e caminhos, árvores e espinhos iriam deixar de existir. Nunca alcançarias o meu jardim, enquanto eu não te mostrasse, bússola, o norte de onde estavas. Eu gostava da ideia, jardim, de que você está em mim. E eu estou em você, pântano.
Cheers!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Adolesciência

retirado do antigo diário mais recente que a minha própria lembrança do episódio.

Ligou para a T. e disse 'tras coisas. Não quis ouvir o sermão da mãe, saiu feito um furacão. Eu fui atrás, com a D. dizendo: salva ela!

Eu ia correndo atrás dela, olhando aquela bunda linda. Dá vontade de apertar gostoso. Caiu a ficha de que ela só estava correndo porque eu havia dito tantas e tantas bobagens. E ela acreditou.

Alcancei o passo dela. Juro que só demorei mais porque fiquei hipnotizado com aquele conjunto cintura+bunda gostosa. Então, ainda correndo, ofegante, eu disse: ela não vai chegar! Ela me responde: era pra ela ficar com você! Daí eu paro!

Eu paro e penso. Era pra ela ficar comigo? Eu penso, engulo seco. Era pra eu esquecer toda a minha sacanagem e pensar no que uma guria queria dizer com aquilo? Quer dizer, o que ela quis dizer mesmo? A doida da J. queria ficar comigo, ou era pressão da Di? E o que importa, se eu nem quero mais nada? Não quero?
Cheers!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Rir do ridículo II

O Capítulo Dois vem após o final do Três.

CAPÍTULO DOIS
O casal briga. Ela quer comer as comidas finas que ela mandou a empregada fazer, já ele quer somente a cream cracker que está no pote. Ela grita e ele gesticula mais que ela. A empregada concorda com a patroa. Óbvio, ela não quer perder o emprego por omissão, isso daria uma justa causa. Ele convence a empregada que ele está certo. A empregada concorda com ele. Óbvio, ela não deseja ser injusta.

Ela vai para o quarto. Ele ataca o pote. A TV conta uma história daquelas que só acontecem na Palestina. Ele se interessa, vai ver. Ela volta do quarto, tem um livro nas mãos. Joga o livro no colo dele, que pula de susto. Ela manda ele abrir o livro. Não é um livro, é um álbum. Não é um álbum, são velharias, pensa ele. Ela grita mais. Ele respira fundo a cada foto. A empregada sai para fazer uma compra. Ele desliga a TV. Ela escorrega para o lado dele. Ele se afasta. Ela chega mais perto. O pote cai no chão. Ele levanta e sai de perto. Ela mente. Ele acredita. Ela sorri. Ele mente.

Ele folheia o álbum, fica triste. Ela junta o pote do chão. Ele roça os dedos dos pés no tapete. Ela levanta e aponta pra uma foto. Um rapaz de óculos, uma moça muito branca e um magrelo. Ele balança a cabeça, negativamente. Ela fala a verdade. Ele mente. Ela conta outra verdade, ele nega. Ela se cala, ele mente. Ambos estão emocionados. Lentamente a mão dele busca a dela. Ele não tem o coração de pedra, pensa ela. Aliás, provavelmente pensou. Ele fecha o álbum. Ela amarra sua mão na dele. Ele olha. Ela mente, ele também. Ele vai até o pote. Ela até o quarto.

A empregada chega. Pergunta se já está tudo bem. Ele fala a verdade. Ela mente. A empregada suspira. Deseja ter a mesma sorte dele. Ele fala mais uma verdade, dessa vez cruel. Ela agita a cabeça, afirmativamente. A empregada faz uma cara de quem mudou de idéia. Deixa as compras no balcão, serve um copo d'água e bebe. Ela entra no quarto, batendo a porta com força. Ele vai até a empregada e a apalpa. Ela corresponde. Ele sorri. A empregada também. Ele combina o horário de saída dela. Ela confirma. Ele vem busca-la para o curso de informática. Ele pisca pra empregada, mas ela se vira. Ele vai até o quarto, para se explicar. Ela deixa. Ele mente. Ela acredita. Ele fala algumas verdades, entremeadas de mentiras. Estratégia. Ela chora. Ele chora.

O casal transa.
Cheers!
(qualquer semelhança com a realidade é mera expectativa de sua mente)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Rir do ridículo I

Fechou a porta. Fechou a boca do espírito. Vomitou toda a ideologia. Fumou um maço de cigarro. Tomou aquela cerveja que estava no copo desde ontem. Comprometeu-se com quem não amava. Amou sem compromisso. Olhou para o relógio. Assustou-se com o preço da batata. Pulou de alegria na cama. Releu toda a minha obra. Pendurou-se na janela. Arriscou cair e quebrar o pescoço.

Botei Winehouse pra tocar. Ela veio carinhosa, sorrindo. Como eu me lembro de cada drama! Era impossível olha-la nos olhos. Todos nos olhavam. Aumentei o som. Fiquei um tempo com o martini na mão, ensaiando cantar a música. Ela me embalou com gritinhos. Nada romântico. Eu reagi. Ela tomou o martini de minha mão. Eu odeio martini. Mais que esse clima romântico. E todos ficaram receosos em dizer. Estávamos plenos. O mundo era uma conquista.

Prometeu tomar o remédio religiosamente. Caiu na armadilha. Lambeu as próprias feridas. Foi capturada. Amou o caçador. Frutificou. Parou de ser tão religiosa com os remédios. Caiu em desgraça. Frutificou de novo. Cortou o cabelo. Tocou violão. Leu minha obra. Encantou-se com o ruivo. Reagiu. Trabalhou demais. Adoeceu. Acidentou-se. Lambeu as feridas de novo. Casou-se com um cara rico. Escolheu mal. Disse que o passado havia ficado para trás. Reviveu os filhos com emoção. Tomou veneno. Angústia lacerante.

Contar uma história de vida tão grande, eu possuo detalhes demais. É cansativo escrever tudo. Dá muito prazer encarar teus bilhetes, dá muita raiva lembrar de minhas respostas. Já tive centenas de pesadelos com nossa história, e algumas dezenas de sonhos sem ela. Fujo o mais longe possível, mas o barco é lento. Preciso de óculos...
Cheers!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Vozes

Dia chuvoso, dia úmido, com poucas chances de você se dar bem. E as garotas? Elas vem? Não sei, pode ser que com a chuva elas se quietem. Não, eu não acredito... tanto faz... mas temos tudo aqui, está tudo preparado. Você aí, tem alguma ideia? Pode ser... Pode ser o que? Pode ser que elas venham. Mas e a chuva? Não importa, e a bebida? Temos bebida o suficiente pra deixar a todos em coma alcóolico. Não, eu sei que tem bebida o suficiente. Desde o Natal aqui tá cheio. O que eu quis dizer é que elas virão pela bebida. Sim, pode ser. Não! O que foi? Não acredito que elas venham pela bebida. Mas se não for pela bebida, elas virão pelo quê? Bom, eu disse que hoje é um dia com poucas chances de você se dar bem. Você quis dizer nós nos darmos bem. Nós não, você! Como assim, e eu? Você, ele... Nós, eu não disse...? Isso não importa mais, ficaremos sozinhos. Mas nós... Eu acho que você ainda não entendeu... elas não vem mais só por causa da chuva, mas por qualquer motivo. Rapaz, eu acho que não vou ficar de pau na mão. Acredite, você vai. Só ele não, nós... Não me inclua nessa! Você acha mesmo isso? O que? Que ficaremos sozinho esta noite? Acredito. Mas nós fizemos tudo certinho, uma chuva não vai ser assim tão cruel... E é você quem decide? Por que não ligamos pra elas? Você tem créditos? Não. Eu tenho, mas não vou ligar! O que você quer então? Que você ligue, pra dar uma chorada pra elas virem. E se elas não quiserem vir mesmo assim? Custa tentar? Claro que custa, não são seus créditos... Então fique de pau na mão, eu vou pra um puteiro. Claro que sim, eu também vou. Mas e eu? Nós vamos pro puteiro, é melhor, quer ir? Mas e a bebida? A gente não pode levar a bebida, seu lesado! Claro né, só estou dizendo que vamos abandonar horrores de bebida só pra gastar mais dinheiro num puteiro... só acho que já gastamos o suficiente. O suficiente para quê, para ficarmos de pau na mão? Você não entende nada. Nós vamos? Sim, deixe me pegar a chave do carro. Quem vai dirigir? Quem bebeu mais? Quem não bebeu aqui, cara? Como eu vou saber? Eu bebi. Então você não vai dirigir. Eu não sei dirigir. Não importa, o carro é meu, eu dirijo. Você vai ficar? Vão me deixar sozinho? O que você sugere? Eu não vou mudar de idéia. Eu sugiro da gente ir na casa das meninas, pegarmos elas e trazer pra cá. Mas e a gasosa do carro, cara? O mesmo que gastaríamos com putas e cerveja cara. Ele tem razão. Tenho? Não sei. O que? Uma hora dessas elas já não vão estar lá, tenho o pressentimento que elas arrumaram algum outro lugar pra ir. E você sugere algo melhor? O puteiro é bom. As meninas são boas também, e estão no plano original. Eu não sei com quem eu concordo. Concorde com algo que não te faça gastar mais dinheiro. Mas o carro não é meu. Não diga que eu estou proibindo ninguém de fazer o que quer que queira fazer, eu só estou do meu lado! O seu lado está esbanjando dinheiro. Quer um cigarro? Eu parei! Não ofereci pra ti, cara. Sim eu quero. Toma. Não decidimos nada ainda. O que acha que vamos fazer? Você se lamenta demais. Mas eu só fiz uma pergunta. Quantos querem ir pro puteiro levantem o braço... e quantos querem ir nas meninas? Pronto, a democracia decidiu... Porra de democracia, ela fode comigo. Calma, foder é que você não vai. Então eu fico. Eu vou dormir. Tchau!
Cheers!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Programa dor

Clique duas vezes no ícone da sua mulher. Uma vez aberto o programa, vá ao menu Sentimentos e desabilite Vergonha do submenu Pudores. Daí crie uma nova janela de bate papo e adicione seu avatar, para que o programa não esqueça com quem está falando. Uma vez programado assim, vá no menu Rotinas e clique em Reportar. Ouça tudo o que ela fez durante o dia dela. Se não gostar de algumas partes, é só ir até a barra de progresso e clicar em skip que ela pulará aquele capítulo. Após isso, vá na guia Expectativa e abilite todos os elogios, assim seu programa funcionará bem que é uma beleeeza.

Ah, e como eu sou bonzinho, vou dar uma dica muito boa pra você fazer um ótimo upgrade na sua mulher. Anotem aí. Como fazer sua mulher ser safada como sua amante:

Abra o programa de sua mulher. Vá no menu Sentimentos e desabilite Vergonha, Prudência, Mágoa e abilite Satisfação, Felicidade e tudo relacionado ao sexo que a versão dela tiver. Após isso tome outro cuidado, ativando o recurso Submissão na guia Comportamento. Nessa mesma guia abilite Iniciativa, Ninfomania e, mais uma vez, dependendo da versão que você dispõe, todos os tipos de comportamentos que ela tiver, se condizentes com o de sua amante.

Daí já é meio caminho andado.

Abra agora o programa amante (sim, nós homens conseguimos rodar em nosso sistema operacional esses dois programas sem dar conflito). Vá no menu Programa/Opções/Programação Raiz e copie todo conteúdo que estiver na string Sexo. Volte ao programa de sua mulher e cole na mesma string Sexo. Adicione, uma linha abaixo do fim da string Sexo de sua mulher o comando /reload, assim ela não vai dar desculpas após a primeira da noite. Após a importação, crie uma janela de bate papo e faça um teste digitando o comando /vamostransar e veja a resposta. Se ela não responder positivamente, você deve ter errado no procedimento. Mas, basicamente, somente isso é necessário para sua mulher ficar tão boa ou melhor quanto sua amante. Mas veja que uma reprogramação não faz milagres. O hardware de sua amante sempre será muito melhor que o de sua mulher, concorda? Também é válido que você salve toda a Programação Raiz de sua mulher antes de fazer a importação. Pode ser que você precise desse backup mais tarde.
Cheers!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Respeitável público

Sicko Vicious me disse "bom, é melhor você parar de fumar enquanto pode", daí eu perguntei "e antes eu não podia?". Ele me respondeu "mas antes você era um mau rapaz, agora se mostra arrependido", mas o que Sicko não sabe é que a grande maioria das pessoas são más pessoas, mesmo que não saibam. Ou pelo menos ele tenha se tornado muito ingênuo, justo agora nessa idade... "atenção nos detalhes", ele me fala, mas eu não suportei a ingenuidade dele e disparei um "ah, cala a boca ow meu!". E não é que ele se calou?

Eu atendi o telefone, outro dia, e criei um mau estar muito grande com um ex inimigo. Puxa, logo agora que eu declarei guerra às frases de efeito dele! Secretamente, mas declarei...

Inaugurei uma nova fase na minha vida, inspirada numa outra vida que tive alguns anos atrás. Segundo um guru que conheci a alguns anos, minha última vida passada foi de reclusão, eu era algo como um monge, por volta de 1300, provavelmente na Ásia. Ele disse que eu possuia mediunidade, mas eu não vi muita utilidade nessa informação naquela época. Mediunidade não provoca meus dons, talvez. Então iniciei a vida nova, inspirada na velha.

E a retumbante novidade da minha volta (de 360°) pela vida, algumas vezes tão anunciada por mim, com uma providencial ajuda dos novos amigos. O ponto comum foi a insanidade. Eu brinco de dizer que fugi da bala perdida, mas na verdade lá a bala é bem endereçada. Então eu não corro riscos, até porque correr está fora de cogitação pralguém tão gordo como eu. O Sicko está ficando veeeelho, não aguenta mais o pique. Nem o trote.
Cheers!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

In abstrato

O silêncio da noite distante... poucas palavras. Imoderada anestesia diária. Sapiencial escolha diante triunfo. Escolho me perder um pouquinho. Quem sabe o amanhã terá mais cara de amanhã?

Mean heart, cold heart, cold heart, cold heart
Cold heart, cold heart, cold heart,
cold heart...
uhhhhhhh!


Tourette's - Nirvana

Cheers!

sábado, 13 de dezembro de 2008

A Reloaded Beginning's End

Send a heartbeat to
The void that cries through you
Relive the pictures that have come to pass
For now we stand alone
The world is lost and blown
And we are flesh and blood disintegrate
With no more to hate

Is it bright where you are
Have the people changed
Does it make you happy you're so strange
And in your darkest hour
I hold secrets flame
We can watch the world devoured in it's pain

Delivered from the blast
The last of a line of lasts
The pale princess of a palace cracked
And now the kingdom comes
Crashing down undone
And I am a master of a nothing place
Of recoil and grace

Is it bright where you are
Have the people changed
Does it make you happy you're so strange
And in your darkest hour
I hold secrets flame
We can watch the world devoured in it's pain

Time has stopped before us
The sky cannot ignore us
No one can separate us
For we are all that is left
The echo bounces off me
The shadow lost beside me
There's no more need to pretend
Cause now I can begin again

Is it bright where you are
Have the people changed
Does it make you happy you're so strange
And in your darkest hour
I hold secrets flame
We can watch the world devoured in it's pain
Strange
Strange
Strange

Smashing Pumpkins - The Beginning Is the End Is the Beginning

Essa música faz parte da trilha sonora do filme Watchmen, que eu estou aguardando tanto. Uma obra prima a remixagem...
Cheers!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

del c:\você.txt

No momento que a criei, ela veio com força tão grande, e uma intensidade tamanha, que geri pleno de minhas forças a bela aparência que esse mundo permitiu existir. Indomável, ela saiu do papel. Das linhas e traços de minha escrita ela se soltou, arredia. Fugiu, o quanto antes, e para o mais longe possível. E eu não me importei. Só queria deixá-la sair. Dentro de mim os ecos ensurdecem. As vozes são variadas. Dentro de mim não há espelhos, e ela precisava saber como ela era.

Agora ela não me pertence. Sequer a tive algum dia. Eu a produzi num leito febril e catártico, numa sempreescolha repetitiva, a vadia. A folha, a tinta, a mão. O bolo, a vela e o cinzeiro. Imagens, palavras e pensamento. Ela é feita de muitas coisas. Agora ela vive. Elaviva me alegra. Elaalegre para sempre. Durante a noite, durante o dia. Elaalegre e elaviva. Ela, que era e nunca foi minha. A menininha. No Sol, a fruta e o cansaço. O calor e mormaço. A vírgula.

Temo não ter o que havia de ser, e possuir aquilo que jamais foi. Temo ser grande a minha infâmia. Desconstruir o projeto ainda no útero, e fazer dormir aquela que ainda desperta. Sinto último o sono. Sinto um vazio de tudo. Pois ela saiu. E me tomou o mundo.
Cheers!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Parte di me

Quando eu a vi pela primeira vez, meus olhos se encheram de lágrimas. Meu espírito pareceu sair de uma sonolência maldita para um estado de êxtase absoluto. Meu corpo tremeu por milésimos de segundo, mas não importava. Eu estava diante da mais pura beleza, da mais envolvente chama de vida que conheci. Nossos olhos se encontraram, e nossos olhares foram todos observados, de longe, por uma plêiades que nos alumiava.

Como eu pude ter sido privado de conhecê-la. Quanto da minha vida eu teria deixado de viver, se eu não a conhecesse. A mais cruel e vil pessoa que conheci, a que a gerou, é a tua matriz. Eu não compreendo. Como pude ser feliz ainda sem que tivesse visto teu rosto, minha criança?

Ela veio até perto, eu pude sentir seu cheiro. Eu soube que ela era minha, minha chama, minha vida, minha carne, minha garotinha. Me fez alguns sinais, como se houvesse alí um espírito mímico que a inflamasse. Eu sorri. Não. Eu chorei. Ela veio para mais perto, e estendeu a mão, e quase me toca. Sim, eu estava imóvel. Tão perto, seu pequeno rosto começou a imitar o meu. Então ela chorou... ela lindamente chorou. E mudou o resto da minha vida!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A Atitude

Don't you come back now?
Don't you turn your eyes?
And if you dare to look
I'll be you waiting

Impera e nessimo
Impera samie nero
Dove di immantore Dio

You hear my prayer
Don't you turn your eyes?
And if you dare to mourn
I'll be you waiting

Impera e nessimo
Impera samie nero
Dove di immantore torra

E mani diavole
E mano diavole
E nere mani diavole

Impera e nessimo
Impera samie nero
Dove di immantore Dio

Don't you come back now?
Don't you turn your eyes?
E nere mani diavole
You hear my prayer
E nere mani diavole
I'll be you waiting

Cathar Rhythm - Era

Quem disparará a primeira seta? Quem tem a melhor pontaria? Quem será o mais forte para resistir aos ferimentos? Quantos dias sobreviveremos mais?

No dia negro em que sairemos à guerra, cotidianamente engajados, seremos mais um almejados pela nossa obra dourada, acometidos pela raiva, por sentimentos ruins. Aquele soldado jamais voltará à sua casa, e seremos assim também. Prevejo a nós uma antipática romaria, aquela que sempre iniciaremos após ficarmos cansados da anterior. Assim como o mundo necessita de guerras, necessitamos nos degladiar. Necessitamos um do outro. Mais importante que tudo, necessitamos ter conflitos.

Para fugir de nossos conflitos internos, talvez. Para fugirmos...
Cheers!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Não! Isso NÃO é a volta!

Agora eu falo ao vazio. Só o eco me dá a sensação de que não estou sozinho. Uma reverberação que me faz refletir. Em alto e bom som. Quase não percebo a minha respiração, tão suave é a minha reação. Reação alguma. Reação idiota alguma. Eu acredito que não deveria ter reação alguma. Uma catarse que me domina. Estou tão tranquilo.

Antes ter pego a peste!
Cheers!

domingo, 16 de novembro de 2008

The end is the beginning is the end

Decidi paralisar o blog por tempo indeterminado. Motivo: falta de demanda.
Cheers!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

14/11/08 14:26

Eu acredito que sei porque de nós nunca termos dado certo. Eu creio. Como sempre é o ciúme, o teu ciúme exarcebado. Daqueles que eu simplesmente odeio. Assim como odeio quando minha mente me domina e te examina friamente. Já te dei conceitos demais. Deixas de ser tão concreta, mas és tão medíocre. Medíocre quando estamos perto.

Jamais me darias filhos. Não suportarias disputar a minha atenção com filhos. Sabes que isso é verdade. Queres-me pra ti com exclusividade. Queres-me avidamente. E filhos seriam uma escolha por demais errada pra uma mente como a sua. Negas logo o meu maior sonho. Sabes que ser pai é algo que eu desejo. Naí vivem teus fantasmas, e me abandonas por inteiro. Não consigo te compreender, e sequer compreendes a ti mesma.

Eu não te escolho. Não! Somente a duradoura questão do possuir ou não possuir é que realmente tenho em mente em relação a você. Nada como te dar uma resposta vazia, evasiva, escorregadia. Não me possuis, não me tens. Me sinto tentado a continuar esse esforço todo que fazes de parecer diferente do que és. Ou seja, eu tento me enganar, mas não consigo. Teus defeitos nas minhas qualidades, e eu não tenho compaixão de mim. Somente...

Diga pra si, mais de três vezes: meu útero é seco!

Direi a mim, uma porção de vezes: eu sou um universo de possibilidades! Assim cri que sou a negação do que me ofertas...
Cheers!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

E quase mata o velho!

Eu fui até o fundo, vasculhei suas coisas, e senti saudade do meu pequeno universo de coisas que ali habitavam. Me dei conta que você organizou tudo com tanto esmero, e meus dedos tremiam um pouco. As fotos organizadas por data, às vezes por evento, e tantas marcas naquelas mais antigas, tantas recordações...

Eu só soube falar de mim mesmo. Aparentemente eu dei espaço pra você falar. Aparentemente você ensaiou dizer alguma coisa. Tive a certeza que você queria mesmo dizer algo. Mas eu quis falar mais. E você me conheceu. Conheceu mais. Tantas coisas obscuras que estavam realmente lá no fundo. Num determinado momento achei que você ia me interromper, e ansiei por isso, mas só foi uma ameaça tola.

Tolices que você tolera. Tolerância que eu não teria se estivesse no seu lugar...
Cheers!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

I'm a Damned

I'm over it
You see I'm falling in the vast abyss
Clouded by memories of the past
At last, I see

I hear it fading
I can't speak it
or else you will dig my grave
We fear them finding
Always winding
Take my hand now
Be alive

You see I cannot be forsaken
Because I'm not the only one
We walk amongst you
Feeding, raping
Must we hide from everyone

I'm over it
Why can't we be together
And erase it
Sleeping so long
Taking off the mask
At last, I see

My fear is fading
I can't speak it
or else you will dig my grave
We fear them finding
Always winding
Take my hand now
Be alive

You see I cannot be forsaken
Because I'm not the only one
We walk amongst you
Feeding, raping
Must we hide from everyone

You see I cannot be forsaken
Because I'm not the only one
We walk amongst you
Feeding, raping
Must we hide from everyone

Everyone
Everyone
Everyone

Forsaken - Queen of the Damned Soundtrack

Fazendo barulho dentro da cabeça. Correndo por trás dos olhos. Eu sinto ódio. Um profundo ódio. Ópio. A ganância de dormir. Eu sei que não estou salvo. Eu conheço esse destino. Já fui mais forte. Agora a noite me acolhe. Já fui mais humano. Agora é a besta que me adota...
Cheers!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Retórica Azul

Você sabe, você está no meu sangue, e quando sangro te vejo novamente. Quando me pedes pra manter silêncio, eu fecho os olhos e te sinto me chamando. Sim, eu consigo ouvir tua voz clamando por mim.

E pra tua sorte você me tem.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Enigmatic Encounter

"Sade, dis-moi, qu'est-ce que tu vas chercher?
Le bien par le mal? La vertue par le vice?
Sade, dis-moi, pourquoi l'évangile du mal?
Quelle est ta relígìon? Ou sont tes fidèles?
Si tu es contre Dieu, tu es contre l'homme.
Sade, es-tu diabolique, ou divin?"

Sadeness - MCMXC a.D. - Enigma

Há muito tempo eu deixei que o ritmo fosse meu guia de luz. Desde lá eu não descobri enigmas, mas fui descoberto, desvelado por uma sonoridade intensa. Perdi-me nos jardins da fé, da esperança, da força e da poesia. Sim, eu senti até o fim. Despertei a criança em mim, e hoje não alimento dúvidas.

O maior significado nisso tudo é que eu realizei meus instintos. Também achei a razão, em meio a algumas palavras que jamais fizeram sentido, até que eu as absorvesse. Eu vi, havia uma tela por trás do espelho, e nunca mais o meu reflexo foi mais o mesmo. Aprendi a descobrir uma força interior. Maior do que eu. Maior do que podemos ver. Maior do que podemos compreender. Paradoxos lado a lado.


Agora eu tenho. Eu possuo. Eu desejo. Eu sei...
Cheers!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...

É preciso amanhã as pessoas como se não houvesse amar... É preciso as pessoas como se amar não houvesse amanhã... É preciso amar amanhã as pessoas como se não as houvessem... É amanhã como se não houvesse as pessoas preciso amar...

A primeira vez é sempre a última chance...

A primeira chance é sempre a última primeira vez... A última chance é sempre a primeira vez...

A mente sempre fazendo um roundabout de tudo, como numa óbvia inclinação ao que se mais repete... uma óbvia situação em que me encontro, quantas vezes forem necessárias.
Cheers!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Tragicomédia cotidiana

Quando você a chuta, ela vem correndo de volta pra você. Não entende o porquê, mas se enche de um sentimento estranho. Estranho pra mim. Não se compreende como é possível só conseguir algo através da negação daquilo que se quer. E ela fica parecendo tão pedante. É horrível.

Quando você é chutado, percebe que está perdendo. O ser humano é treinado a não perder. Perder não! Corre-se atrás, mesmo sem compreender, apenas porque se sente motivado. Motivado pela rejeição. Rejeição significa perda.

Quando se vê uma cena dessa dá pena. Pena dos dois. Dois tolos. Tolos porque fazem exatamente o contrário daquilo que pretendiam. Um nega, querendo, o outro quer, fugindo. Vai lá entender...?

O que sobra fica comigo. Prefiro a dúvida. Ela casa melhor comigo. E nunca me traiu. Nunca a chutei, ela nunca implorou pra voltar, afinal, nunca terminamos. Dúvida que me dá filhos. Filhos tão lindos.
Cheers!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Introspectiva mente

Me sentindo como um personagem de quadrinhos. Muito velho para essas coisas. Muito difícil de enxergar. Parece que há um plástico envolvendo meu pulmão. Difícil respirar. O coração está gélido. Não. O coração é uma pedra. Melhor. A pedra é o coração. A pele está cinza. Me sinto doente. Meu contorno de tinta. Com medo de tíner. Com medo de qualquer diluente. Cansado demais. Com fome demais. Fome de mais páginas. Mais capítulos. Não. Maiores capítulos. Melhor. Melhores capítulos. A alma do que falo na lama. Tudo o que eu falo está pendurado em balões. Letras e expressões desenhadas. O mundo virtualmente sem cor. O fígado dói. Não consigo sentir odores. Momentos. O cabelo desgrenhado. Barba-por-fazer. Eterna barba-por-fazer. Algum barulho no bolso. Papel. Outro bolso. Uns trocados. A minha imagem está sendo lida. Alguém lê minha imagem. Me venera. Olhos sórdidos. Um frio na barriga. Os olhos me fitam. Respiração mais comprometida. Começo a suar. Não há o que temer. Não há temência naqueles olhos. Olhos perscrutando cada quadrinho. Mas eu não consigo saber o que pensam. Estou tão à vontade. Vontade de falar muito. Falar. Sou um agitador de massas. Sei que me ouvirão. Sei que me ouvem. Só não sei se esses olhos me dão ouvidos. E eu crio dúvida. A dúvida cria sentimentos. Medo. A rejeição. Parece que estou na lua. Não sinto meu corpo inteiro. Os olhos ficam irriquietos. De repente tremo. Completamente fraco. Volto a suar. A sensação. Há algo acontecendo. Corre por mim. Lê minha imagem. Parece ser a última vez. Frio na barriga. Dor de cabeça. Gélida sensação. Os olhos me ignoram...

e vira a página.
Cheers!

domingo, 2 de novembro de 2008

No Etéreo

Havia um ar de novo muito conhecível. De novo havia um conhecível ar. Havia de novo um ar conhecível...

Maybe one day I'll be an honest man
Up to now I'm doing the best I can
Long roads, long days, of sunrise, to sunset
Sunrise to sunset

Dream on brothers, while you can
Dream on sisters, I hope you find the one
All of our lives, covered up quickly
By the tides of time

Spend your days full of emptiness
Spend your years full of loneliness
Wasting love, in a desperate caress
Rolling shadows of nights

Dream on brothers, while you can
Dream on sisters, I hope you find the one
All of our lives, covered up quickly
By the tides of time

Sands are flowing and the lines
Are in your hand
In your eyes I see the hunger, and the
Desperate cry that tears the night

A música que tocou no puteiro tocou na minha mente, que tocou no etéreo do momento, e isso me permitiu tocar na prostituta que se apresentava. Havia uma fome no olhar dela, e nos que a assistia do outro lado da pista. Nada daquela música tocava eles, e uma parte de mim expelia a fumaça de uns lumes que tragava. Sim. Ali. Na direção oposta da do vento. O vento que varria o etéreo. O etéreo que me permitiu tocar na puta.
Cheers!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Idiossincrasia pornô

Procurei um atalho até o coração. Apaguei aquelas fotos antigas da mente. Invejei a tua mocidade ainda que tardia. E invejastes minha reciprocidade, ainda que calada.

O jardim nos separava, com suas flores nunca-beijadas. As ruas nos atraíam, com seus sons que nos invadiam. Por metros não nos vemos, e por pura falta de iniciativa.

Fomos embora. Arrependidos. Subimos no ônibus, arredios. Chegamos em casa. Arrependidos de termos nos arrependido. Cansados demais pra termos nos repreendido.

Sem coragem pra ligar um para o outro. Desculpas são amargas demais. Difíceis demais pra ser dadas primeiro, fáceis demais para aceitar.

Desculpas são articuladamente artificiais. Fáceis demais de serem pedidas, difíceis demais para serem compreendidas. A piedade é diferente da autopiedade. Nociva...

No seu olhar moram milhões de estrelas...
Cheers!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Remind me

"No dia que a Flor nasceu nos jardins da vida
algumas estrelas a saudaram
outras a invejaram
por sua beleza

É tão difícil ser amigo da Flor
o ser humano quer tomar pra si o que é da natureza
isso é errado, com certeza
quando se quer apenas contemplar"

Qualquer coisa que eu escreva, Flora da Família Valls
não será a ínfima parte daquilo que eu desejo
embora eu use as palavras no meu escudo
não saberia defender sentimentos tão puros

Que seja sempre difícil, então, dizer-te verdades
porque, no mais, eu sei que você nem sempre compreenderá
e a dúvida gerará perguntas
e perguntas, as respostas

Lembre-se, todos os dias, que existo
nas palavras do Professor
e nas tuas lembranças.

TE AMO.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A mente que se dane!

Era uma vez uma mentira. Ela foi contada mais de um milhão de vezes. No começo foi para alguns, depois esses alguns contaram pra alguns mais, então esses alguns mais contaram pra muitos, e assim a mentira foi sendo contada. Outros alguns morreram pela mentira, outros mais alguns morreram por causa dela, e aqueles outros ainda morreram por omissão dela. Foram milhões.

Agora quem mais mentiu está coroado. Os que mentiram e não creram estão queimados. Alguns, aqueles do começo, não mentiram mais porque não viveram mais tempo. E a mentira permaneceu.

Quando é que a verdade será calada do meio dos covardes?
Cheers!

domingo, 26 de outubro de 2008

Ela É Perigosa

A esperança é a última que morre. Mas existem pessoas, e elas são muitas, que preferem fazer com que a esperança seja imortal. Mesmo essas pessoas, a grande maioria delas, não esperam que a esperança seja imortal, mas que tudo o que elas querem seja realizado. Ou seja, se elas obtêm aquilo que elas querem, pode até ser que queiram que a esperança morra. Pode ser que ela não seja mais imortal. Até que elas queiram mais, ousem mais, ou peçam mais.

Tudo que se espera da esperança é que ela seja uma caixinha com soluções, prazeres, realizações. Jamais se pensa no campo de sonhos, projetos, estudo, disciplina. Queremos da esperança aquilo que nos dotamos crêr, a eterna expectativa. E isso nos empobrece. Vivemos cercado de óbvios, de certezas lacônicas, de rotinas cristalizadas. Não esperamos desígnios, nem, cada vez menos, acreditamos em destino. Não. Destinos não nos deixam ter esperança. Acreditamos mesmo é nos filmes românticos, no olhar do ser amado, no jogo do bicho.

Somos tão crentes que haveria na esperança as nossas crenças mais íntimas. A tola idéia de que somos moldados a crer naquilo que somos...

Então somos fracos!
Cheers!

sábado, 25 de outubro de 2008

A Mística

Eu atingi uma força incrível. Meus passos decidos. Meu coração, o caminho para um entendimento superior de essências superiores. Os chakras alinhados, a respiração fácil, o olhar piedoso, a emanação de sentimentos gigantescos. Eu estou evoluindo. Minha dívida com a evolução está sendo paga, aos poucos.

E meus filhos falarão muito do pai deles. Dirão o quanto eu sou excêntrico, mas saberão reconhecer os meus esforços para o não-limite da mente. Eles sentirão orgulho, e pelo orgulho pagarão caro. A minha intenção será ensinar pelos atos. Um dia...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Meu amor

Quando eu era pequeno achava que tudo era tão distante. Não conseguia me encontrar, com uma pouca estranheza, era capaz de me perder, e chorar sozinho numa calçada.

Na minha adolescência eu achei necessário conhecê-la. Nunca tive medo, mas ela me amedrontava com suas curvas perigosas e olhos antigos e perniciosos. A minha vida começou a mudar, e ela me adotou como se fosse seu "filho predileto".

Hoje, adulto, eu a encontro nos becos, nas esquinas, nas avenidas, boulevares. Eu a amo tanto!

FELIZ ANIVERSÁRIO, MANAUS!! FELIZ ANIVERSÁRIO, MEU AMOR!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A Constante Negativa

Levantei de sua cama ainda sentindo o gosto do chocolate. Vi que você dormiu enquanto me fazia dormir, e achei isso tão engraçado. Aquela era uma hora boa de te fazer um carinho, mas vi que o relógio me obrigou a deixá-la. Aliás, não ele, mas a minha nobre missão.

Tateei debaixo da colcha procurando o meus pertences. Percebi que você me roubou todos, mas, sorrindo, sabia que havias feito isso na intenção de me deixar por ali, como se tivesses esperança alguma deu me permitir. Vi que seus lábios estavam cerrados, e seu semblante estava de um alguém um dia muito cansada. Não agora, nem por mim...

Fui ao banheiro, lavei o rosto e escovei os dentes. Eu sempre tenho uma escova ali. Dei mais uma olhada em minhas olheiras, eu já estava a uma semana bebendo, tão severamente condenado a uma diversão infinita. Ou até que a grana acabe, como você havia me convencido a acreditar. Você está sempre tão segura pra falar mal dos meus vícios. Acontece que beber não é um vício pra mim, é pura diversão.

Voltei pro quarto pra me despedir, e acho que sonhavas. Sorrias. E tão linda estavas! Daí eu não resisti...

peguei cinco reais da tua carteira, desci no elevador, peguei meu ônibus e voltei pra casa!
Cheers!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

And Her Thoughts

O que é que eu não posso fazer nesse mundo? Haja tanta pergunta, e por causa delas a gente sempre acha que não tem as respostas. Acredito que as respostas estão num estado natural dentro da gente, mas que só afloram quando as incitamos com perguntas. Então, o que há no mundo que eu não possa, com que eu não consiga dominar, ou ter, ou fazer? Eu posso tudo.

Minha mente me proibe de muitas coisas. Algumas delas ainda estão obscuras até pra mim mesmo. Se eu não sei, é porque aquilo ainda não é dentro de mim. Pensando assim eu tenho todas as coisas dentro de mim, eu sou um universo. Sim, dentro de mim. Porque fora tudo é uma imagem, e imagens não são tão reais quanto aquilo que sobrevive dentro de nós. Lembranças...
Cheers!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O negro dos olhos II

As palavras escorriam no quadro, a tinta ainda estava fresca, e as pinceladas não eram tão seguras. O artista esbaforido se cansava do amarelo e do vermelho. Tão languida, sua modelo respirava hesitante, procurando estar sempre firme. O artista fazia caras e bocas, tratava os pincéis com tanta brutalidade, realmente muito inseguro.

Tão fácil como pintar um ovo ao lado de um copo d'água! Era sua tarefa mais fácil, afinal de contas a modelo era realmente uma modelo. Assustou-se quando, em meio a sua performance, se deu conta dos destraços e incolor paixão expressa naquela arte. Ouvia os sinos da catedral ao longe, e mais uma vez caiu em si, e percebeu à sua volta toda aquela desorganização mundana, e o pandemônio das hordas lá fora. Seu apartamento era uma oficina no terceiro andar.

A modelo, duas horas e quinze de paralisação estupidamente carnal, suava horrores, e fedia. Aliás, tudo fedia. Fediam a coisa imóvel, a mofo. Os pincéis estavam muito velhos. Erravam como crianças, mas acertavam como velhos, a antiga arte, o olhar, a troca do artista com sua musa. E que musa!

Num giro de cabeça acertou os cabelos no rosto, correu os olhos no quadro inteiro, num ziguezague escandaloso, e tingiu a mão na tinta. Era pra ter sido mais vermelho, mas pintava algo que parecia com os pés. Começara com o rosto, como a maioria. Jogou gotas de verde, incendiou o chão de vermelho e apagou as labaredas com um turquesa na parede ao fundo do sofá. O sofá da musa, onde ela, nua, se exibia.

Agora, eu que vi nascer, contemplo o quadro. Ele está abandonadamente sendo exposto num lugar ignorado por grandes mentes, mas onde às vezes as pequenas opiniões arrasam com o artista. O artista é meu amigo. Tenho tanta fé nele! Pena que ele se droga pra obter êxito... mas por que criticar, afinal, sem as drogas, ele não se acharia feliz. E sem felicidade não haveria artista.
Cheers!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Personagem: Lindemberg Alves

.snemoh sod augníl a essalaf ue euq adniA
.aires adan ue roma mes, sojna od augníl a essalaf E

Mesmo que você corra, eu te encontrarei. Eu decidi que te quero, e disso eu não desistirei. Somos um do outro, e mais ninguém vai interferir. Se eu digo que não quero, você vai ter que concordar. Porque você sabe o quanto que eu te amo, mas, amor, eu não sei se vou atirar. Há algo que você queira me dizer por baixo da mordaça? Hum? Não? Pois eu até pensei que você, algum dia, discordasse de mim!

Cara, eu não acredito que estou fazendo isso! Vocês nunca vão entender o amor que sinto por ela. Não tenho dúvidas, se eu a vejo na janela, eu a possuo, e mais nada importa. Agora você estão tão perto dela, e isso me incomoda. Vejo sua foto e a minha na televisão, e falam de mim. Dizem que eu estou louco, mas ninguém sabe o que eu estou tentando fazer. Meu amor me compreende, e é tudo que eu posso querer. Ela diz que me ama, e é tudo o que eu possa querer.

Mas eu não me sinto bem. Nem consigo mais dormir. Há algo na minha alma que diz pra eu deixar o mundo de outro jeito. Daí eu começo a pensar no seu comportamento ultimamente. Eu sei que brigamos, e que você prometeu terminar comigo, mas eu sei que você mente tão bem. É, você é realmente uma grande atriz!

Eu realmente não me sinto bem. Te procurei e me perdi, e fiquei muito puto com tudo isso. Minha raiva me dominou, eu sei, mas não há o que te desculpar. Eu sei que você me ama, e eu já disse, isso é o que importa. Não é? Não é?!?! Você concorda comigo, e seus olhos estão chorosos. Não diga que está sofrendo, pois eu sou o homem da sua vida. Daqui eu vejo teu corpo quase completamente nu, e isso me excita. Me excito também em saber que o mundo todo nunca mais vai esquecer o quanto que eu te amo. Por que eu te amo. Você é minha vida!

Entendeu? Você é minha VIDA!
Cheers!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Um novo tempo, Solari

"O novo se renovou em antigas fontes. As fontes profundas, ecoavam suas dúvidas. E aqueles jovens todos voltavam para suas casas com um coração cheio de sortilégios. Os seus pais muito orgulhosos, e suas mães temerosas, todos saudavam os jovens.

A guerra chegou depressa. Aqueles homens e mulheres estavam a anos preparados, haviam forjado o que havia de melhor ao alcance de suas capacidades. Era uma guerra cruel, pois o inimigo era algo morto, mas que sobrevivia pelo ódio dos mais poderosos que a Alva. Aquele povo se inflava de dor e coragem, e amava muito sua terra, que viam servir de pousada maligna.

Os jovens morriam, poucos, mas morriam..."

Com esse pequeno texto eu iniciei um conto que fala, pela primeira vez, de mortos-vivos, undeads, no cenário de Solari. Nunca havia sido um consenso a interpretação desses seres na mitologia e mecânica solariana, mas o passado de muitas dúvidas começaram a ser respondidos. Talvez por que eu esteja ficando mais tranquilo, e isso me faça criar com mais clareza.

Vamos ver um novo tempo em Solari, afinal, já fazem 360 anos que Gox faleceu e aquele mundo precisa de novos heróis. Heróis tão grandes e sábios quanto aqueles. Ou talvez precisemos somente de uma grande guerra. Quem sabe?
Cheers!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O Universo

Quando da aurora, percebeu que era dia lá fora, e sorriu. Lembrou que naquele dia a expectativa era muito grande. Muitos significados para todas aquelas idéias, os sentimentos todos, o amor que sentia por aquela mulher magnífica. Ficava claro para os seus que ele é tão apaixonado que mal sabia como parecia para o mundo sua extrema felicidade.

Caminhava pensando o quanto estava atrasadas as cartas, os telefonemas, as promessas, muita coisa atrasada, enfim. Caminhava como se houvesse um meio de, caminhando, chegar até ela. Chegando até ela, dizer "Je T'aime Till My Dying Day", e alegrar-se. Saberia, naquele momento, que tudo havia valido a pena.

Então, no dia de hoje, como em muitos outros, ele alegrava-se somente porque sabia que havia um universo conspirando a favor. E hoje, tudo conspira a favor.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O negro do olhos

I cannot die for what I believe!

Expulse aquela miríade de sonhos que você tem de sua mente, liberte-se. Não procure mais a tal felicidade nas taças finas e chiques doutrora. A morte está sempre rondando seu peito, e não te deixa dormir. Por isso eu te aviso, querido amigo, estás tão perto do precipício. Eu mesmo dizia de mim tudo o que falais ao vento. Liberte sua mente!

Vejo que você está tão afetado. O que me aconteceu esses tempos? Eu sofri demais, e uma dose a mais de palavras foi tomada. Você nem mudou, uma antítese dos dias sombrios. Incólume. Mas quem não aprende com o amor, aprende com a dor, dizem. E eu só posso lhe dizer que não procures mais ser feliz. Isso trata de ser naturalmente.

O que quero dizer é que se é feliz por ser, e naturalmente. Não se produz felicidade, nem nas bolinhas que tu toma, nem na poeira que adentra teu nariz neste exato momento. Eu vi a garrafa de uísque dando bobeira lá, e fiquei tão triste por ti... me perguntei do porquê deu estar ali, vendo grotesca cena. Me forcei a ter pena, e senti saudade também. Saudade de quando tinhas cadernos de perguntas, e que me inquirias sobre bucetas e caralhos. Daí eu vi um filme passar na minha frente. Ironicamente tu te levantou do chão e puseste um DVD desses sei-lá-qual, pra qualquer coisa que te ocorresse.

Tomara que morras, infeliz. E que me faças, assim, um último favor: diga aos meus mortos que estou bem, e que não será mais tão cedo que vou lá com eles...
Cheers!

domingo, 12 de outubro de 2008

Saudade

Eu estou de volta!

Nunca mais eu tinha sentido o cheiro de minha cidade tanto quanto senti quando desci da balsa. Minha experiência no Iranduba foi magnífica, mas Manaus me chamava, implorava por mim. Meu amor, que tanto me agrada...

Quero ver todos, andar bastante, ver tudo novamente. Quero ver minha família, quero ter nas mãos um punhado da terra de onde nasci. Estou com saudades de mim, e do meu mundinho. Há pouco falava doutros tempos com um amigo, e dizia o quanto me orgulha ser amazonense, e manauara. Ele concordou, mas não entendeu, eu presumo.

Mas o importante é que eu estou de volta!
Cheers!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A intemperança

Omnia sol temperat, purus et subtilis.
(O Sol aquece tudo, puro e gentil)
Novo mundo reserat faciem Aprilis
(O novo mundo abre-se à face de Abril)

Eu corro pelos corredores da insanidade e dou conta que não há uma saída. Reedito minha obscura procura pelo incognito, nem lembro quando foi a última vez que morri pra ver. Essas palavras amargam até hoje na minha garganta. A tolice é que o futuro é uma tolice.

A tolice é a saída. Reedito minha incógnita procura pelo obscuro. Corro pelos corredores e vejo a insanidade na minha garganta, num grito que sai sem ser pedido. Não lembro quando foi a última vez que amarguei no futuro pra ver adiante.

Que saco! As flores não cheiram mais a flores, cheriam a plástico barato. Que saco! Os meus devaneios não me levam mais para os lugares de sempre, eles estão reparando velhos erros. Daí aparece toda sorte de personagens do passado com velhas propostas sedutoras. O velho está se tornando novo. O futuro é uma saída pra insanidade. Reedito minha tolice pelo grito que sai sem ser pedido.

Não lembro quando foi a última vez que eu morri pra pagar pra ver isso tudo...
Cheers!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Esqueça-me na gaveta

O sofrimento à conta-gota. Eu sou realmente esquecível. Do meu mundo apenas os papéis se salvam, e as pessoas realmente tem compaixão por aqueles que são realmente solitários. Daí eu penso que tudo está passando, o meu coração ainda é de pedra, rs.

O sofrimento à conta-gota. Eu sou realmente tão esquecível. Mal a deixei num portão, fui arrebatado noutros braços sedentos por mim. E não vi o que te acontecera ainda ali, no estacionamento. Quando cheguei, dissestes tão chorosas coisas. Pela primeira vez das muitas que virão eu senti que estavas certa. Eu senti.

O sofrimento é realmente esquecível. Do nosso passado apenas os papéis se salvam, e começo a achar que és novamente perfeita pra mim. Como se tudo o mais fosse letra de música. Daí você vem à conta-gotas. Pinga um beijo aqui, pinga um afago dali, e eu me sinto um maldito poeta empobrecendo nossos momentos apenas por hábito.

Eu sou realmente um conta-gotas. Do meu mundinho apenas o sofrimento é que se salva. Meu coração de pedra é tão esquecível. Começo a pensar que gosto de ti novamente. Vejo-me tão delicadamente apaixonado. Suas chorosas coisas me dá compaixão de mim mesmo.

Pinga mais, pinga pra mim, um conta-gotas, a amante perfeita, o meu hábito empobrecedor. Pinga aqui, pinga acolá, um sofrimento a mais. Começo a pensar que gosto de mim novamente...
Cheers!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Cem Limites

Te fecundei. Sinto que estás fecunda, boa fé nas coisas, sorriso largo, pele bonita. Ontem ainda deixei teu leito por causa das coisas que eu não largo. Deixei teu leito com a sujeira do meu pulmão, e o doce de minhas palavras. Senti, naquele momento, que estavas fecunda de mim. E eu acredito em você.

Mas você não acredita em mim. Você acha que não há vida mais seca que a sua. Acredita que os homens não tem propósitos, e que eu também não. Você está viciada na idéia da suprema desordem do meu mundinho, e eu acho graça disso. Afinal já fomos bons companheiros, agora é só sexo casual...

Daí fui ao puteiro. Eu e um amigo. Sentia-me um sósia de mim mesmo, irreconhecível. Ali mas tão longe. Tão longe, numa distância que já cansei de tentar encurtar. Meus olhos estavam ali, a mente não, mas quem se importa? Eu estava a salvo no meu reduto, naquele templo. Eu estava seguro junto às putas, ao bar, como nos velhos tempos.
Cheers!