A urna estava vazia, ninguém havia notado, na calada da noite, os ladrões que nos roubaram. Meu grande medo havia se dissipado. Sem provas não havia criminoso. E criminoso bom é criminoso morto.
Noites resumem-se por bebedeiras initerruptas. Mais uma vez.
Cheerz!
terça-feira, 10 de março de 2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
O cheiro d'alma
Eu tenho a sensação de que estou no caminho certo. Tanta gente assiste sua própria vida passar pelo seus olhos, imaginando como seria, querendo sempre algo diferente do que tem. E eu que me esforço pra não ser "tanta gente" estou definitivamente no caminho certo. Meus sonhos já voltaram a "falar comigo". Minha reclusão está funcionando. Consegui afastar toda aquela legião dos meus domínios, rs.
Eu quero mesmo conhecer novos ares. Estou sempre me dando novas chances. Chega de pensar que estou longe de mim mesmo pelo o que penso. O que quero é me libertar. Quero ter um amor pra mim. Quero o bom senso de volta. Voltar a praticar o impossível. Como eu fazia no filme 8mm que eu achei, com tanta saudade que me deu.
A magia daquela pessoa ainda está na minha essência. Pena que está tão difícil assim de falar com ela. Tudo o que eu queria era reencontra-la, e sentir o cheiro dela novamente. Eu quero a magia de volta, com toda a poesia de passar a madrugada acordado pensando nela, com toda a maravilhosa idiossincrasia que isso me causa.
Vivemos dias melhores. Volto a enxergar acizentado. Dizem que eu sou. Dizem que eu não sou. Dizem que sou eu. Dizem muito a meu respeito. A Flora diz. Eu digo. E o que dizemos nos mostra que vivemos dias melhores.
Flora, minha próxima carta vai ser especial, mesmo que qualquer pessoa pense o que quer que seja. Temos direito de pensar. Mas a carta vai ser especial. Espere, e tudo se resolverá.
Cheers!
Eu quero mesmo conhecer novos ares. Estou sempre me dando novas chances. Chega de pensar que estou longe de mim mesmo pelo o que penso. O que quero é me libertar. Quero ter um amor pra mim. Quero o bom senso de volta. Voltar a praticar o impossível. Como eu fazia no filme 8mm que eu achei, com tanta saudade que me deu.
A magia daquela pessoa ainda está na minha essência. Pena que está tão difícil assim de falar com ela. Tudo o que eu queria era reencontra-la, e sentir o cheiro dela novamente. Eu quero a magia de volta, com toda a poesia de passar a madrugada acordado pensando nela, com toda a maravilhosa idiossincrasia que isso me causa.
Vivemos dias melhores. Volto a enxergar acizentado. Dizem que eu sou. Dizem que eu não sou. Dizem que sou eu. Dizem muito a meu respeito. A Flora diz. Eu digo. E o que dizemos nos mostra que vivemos dias melhores.
Flora, minha próxima carta vai ser especial, mesmo que qualquer pessoa pense o que quer que seja. Temos direito de pensar. Mas a carta vai ser especial. Espere, e tudo se resolverá.
Cheers!
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Outro recado
Um pouco de dor, como nos velhos tempos. Você não se acostuma com meu humor tão ácido, e o teor etílico de meu hálito expurgando os demônios durante a mesa. Estás tão velha assim... Aparentemente um pouco ultrapassada, mas mesmo assim, boa tacada!
Eu te propus umas palavras. Não, eu pedi que você escrevesse algo para mim, algo que eu pudesse publicar. Você não tem colhões, mas adorou a ideia. Mesmo que ela seja tão novidade quanto o fato da roda ser redonda. Mesmo assim você ousou perder seu tempo pra escrever algo para mim, e algo que eu pudesse publicar!
É claro que eu achei seus manuscritos (!) escondidos, provas mais-que-suficientes de seu temor diário de ser esquecida nas minhas muitas caixas de sapato. Eu os achei, e alguns eu queimei. Eu sou mesmo um pequeno multiverso indecente, com minha pequena coleção porno tão bem enumerada na sua prosa, rsrs.
Mande sua coragem pra lua. Me mande seus escritos. Eu publico.
Cheers!
Eu te propus umas palavras. Não, eu pedi que você escrevesse algo para mim, algo que eu pudesse publicar. Você não tem colhões, mas adorou a ideia. Mesmo que ela seja tão novidade quanto o fato da roda ser redonda. Mesmo assim você ousou perder seu tempo pra escrever algo para mim, e algo que eu pudesse publicar!
É claro que eu achei seus manuscritos (!) escondidos, provas mais-que-suficientes de seu temor diário de ser esquecida nas minhas muitas caixas de sapato. Eu os achei, e alguns eu queimei. Eu sou mesmo um pequeno multiverso indecente, com minha pequena coleção porno tão bem enumerada na sua prosa, rsrs.
Mande sua coragem pra lua. Me mande seus escritos. Eu publico.
Cheers!
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Roundabout II
O rosto miserável deu lugar ao mais feliz, a esperança encheu os seus olhos com uma luz meio parda, indistinguível à luz do dia. No meio de um temporal, talvez ele saísse para se molhar, arriscando ficar doente e morrer, mas isso está se tornando passado, mais uma vez. Apesar disso, ele não consegue entender como o que está se tornando passado tornou a voltar a se tornar passado...
Cheers!
Cheers!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Vozes II
O problema estava na sua procura. Ousavas demais, elas se cansam. Você deveria ser mais objetivo. Mas havia muito o que considerar, você sabe disso! Não sei disso não, eu sei que ela lhe escorreu pelos dedos, e você foi fraco. Como fraco, eu tornei tudo muito mais fácil. Não, você dificultou as coisas. Eu não creio. Amanhã você vai ser só um amiguinho dela. Você fala como se isso fosse ruim! Isso é péssimo! Não é não! O que você espera que aconteça entre você, um covarde, e uma mulher decidida, independente? O que tiver que acontecer... Isso nunca, o que vai rolar é muito diferente do que você quer. Está bem, então você está sempre certo, conheces bem a mente delas. Conheço! Sim, conhece... Conheço sim! É, eu concordeeei. Mas não acreditooou... Sim, eu acrediteeei sim! Você é um tolo, fraco, idiota e resmungão! Cara, cala a sua boca, eu fiz tudo que eu podia, não passo por cima dos limites dos outros não! E está onde está. E onde estou então? Na meeerda! Hahaha, isso não é verdade, eu estou bem feliz, pra falar a verdade! Feliz com meia dúzia de oportunidades e dezenas de dúvidas cruéis, dúvidas que estão te corroendo por dentro, desesperado por um novo encontro. Sim, feeeliz, e isso te deixa pra baixo, você quer ver minha derrota, seja lá qual for o assunto. Você é a imaaagem do derrotado, qualquer um que olhe pra você vai ver isso! Se isso fosse verdade, onde estava você na hora em que eu estava lá, me dando bem? Eu estava rindo de você, porque minha ojeriza é tão grande que ultrapassa qualquer conselho. Ah, conselho? Sim, é o que você precisa, conseeelho! Você é o sábio agora é? Sou. E acha que eu vou conseguir algo com alguém com essa tua sabedoria chinfrim, meia boca, cheia de preconceitos, machistas e... Seu perdedoooooor, perdedooooor! Ah meu, cala a boca, você é um fracassado que está a anos entubado. Quem está entubado? Você! Entubada é tua coraaagem seu fraco, que você jamais vai conseguir nada com ela. Entubaaado siiiim, fraco, doente, viciaaado. Pelo menos eu me divirto, hahahahaha. Diversão que custa tua vida desgraçada. Hum, está preocupadinho comiiigo ééé? Apenas querendo um pouco de paz na minha mente, um tempo desse pandemonio desgraçado. Quer ser feliz né, ô sonhador? Todos querem. Então te maaata de nooovo, te deeeixa levaaar. Deixo sim. Vai lá. Vou. Então vai. Quando chegar a hora. Oras, vai agooora. Não dá agora. Então fica calado seu otário. Tá puto porque no fim eu tenho razão né? Não, eu comecei a entender o final desse jogo. Jogo? É, jogo. Que jogo? O da sedução!
Cheers!
Cheers!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O Sexto Sentido
Um dia eu descobri que havia um mundo além daquilo que estamos habituados a ver. Um mundo de coisas, dum conhecimento tão grande e lindo. Daí é que eu tirei inspiração para criar o cenário de Solari, de um mundo que nos não enxergamos, mas que sempre esteve ali. As pessoas não se importam com aquilo que elas não conhecem.
Paulo, um dia, mas sobretudo dentro de mim, foi um guia nesse mundo que eu havia descoberto sozinho. Eu estava com medo, entendia tão pouco de minhas forças. Ele dosou tão bem as palavras. Me mostrou como era entrar nesse mundo, obedecer as suas regras e criar empatia com seus personagens. Naquela época eu amava o teatro. Então eu aprendi, naquelas palavras, o significado de estar aberto ao mundo mais do que querer o mundo aberto a você.
Mara, um dia, mas sobretudo dentro de mim, foi uma bruxa que me inspirou a olhar pela fechadura. A realidade é uma sala, existem várias portas de saída, algumas mais dignas que as outras, outras mais ocultas que todas as demais. Mas sempre que você olha para a fechadura, percebe que estamos onde estamos muitas vezes porque não sabemos o que há atrás das outras portas. Então eu aprendi, naquelas lições, que nos também somos salas cheias de portas, e que atrás de cada porta há uma pessoa. Estamos conectados por portas.
Renata, hoje em dia, mas sobretudo por comunhão de sentidos, é uma amiga que aceitou tudo que eu vi e vejo, tudo que eu possuo e o que eu não tenho. Compartilhar a visão de um mundo é tarefa difícil, mas ela não precisa muito de palavras. Compreende que estamos além de uma breve interpretação dos sentidos da carne, e isso me deixa tão feliz. Eu percebi, e me alegrei, que o medo me deixou, eu confio nela, e ela em mim. O mundo fala conosco, e percebo que eu já a faço falar com o mundo. Então eu aprendi, por meio do ato de ensina-la, que meus dons nunca são só meus, eles pertencem a todos. Assim eu me conecto, eu abro as portas.
Ontem, numa mesa de bar, ao ar livre, eu ouvi uma pessoa falar de um dom. Um dom que nos liga a esse mundo a que me refiro. Um dom que sei, todos temos. Mas ali, naquele momento, pela simples menção, minha mente se voltou às lembranças dessas pessoas que descrevi acima. E assim eu lembrei de tudo que eu aprendi, e como foi bom.
Conheci a Patricia. Era ela quem disse ter esse dom. Minha prima Glenda, em seguida, afirmou ter também, um maior. Bobagem, os dons não são mensuráveis. Mas era Patricia quem me interessou, logo por tudo o que ela disse de si. Logo por todas as palavras inaudíveis com os ouvidos, mas perfeitamente audíveis com o coração. Há algo mágico nela. Agora eu posso dizer. Meu sexto sentido me diz coisas. Coisas que não me dizia a anos.
Esse final de semana foi ótimo.
Cheers!
Paulo, um dia, mas sobretudo dentro de mim, foi um guia nesse mundo que eu havia descoberto sozinho. Eu estava com medo, entendia tão pouco de minhas forças. Ele dosou tão bem as palavras. Me mostrou como era entrar nesse mundo, obedecer as suas regras e criar empatia com seus personagens. Naquela época eu amava o teatro. Então eu aprendi, naquelas palavras, o significado de estar aberto ao mundo mais do que querer o mundo aberto a você.
Mara, um dia, mas sobretudo dentro de mim, foi uma bruxa que me inspirou a olhar pela fechadura. A realidade é uma sala, existem várias portas de saída, algumas mais dignas que as outras, outras mais ocultas que todas as demais. Mas sempre que você olha para a fechadura, percebe que estamos onde estamos muitas vezes porque não sabemos o que há atrás das outras portas. Então eu aprendi, naquelas lições, que nos também somos salas cheias de portas, e que atrás de cada porta há uma pessoa. Estamos conectados por portas.
Renata, hoje em dia, mas sobretudo por comunhão de sentidos, é uma amiga que aceitou tudo que eu vi e vejo, tudo que eu possuo e o que eu não tenho. Compartilhar a visão de um mundo é tarefa difícil, mas ela não precisa muito de palavras. Compreende que estamos além de uma breve interpretação dos sentidos da carne, e isso me deixa tão feliz. Eu percebi, e me alegrei, que o medo me deixou, eu confio nela, e ela em mim. O mundo fala conosco, e percebo que eu já a faço falar com o mundo. Então eu aprendi, por meio do ato de ensina-la, que meus dons nunca são só meus, eles pertencem a todos. Assim eu me conecto, eu abro as portas.
Ontem, numa mesa de bar, ao ar livre, eu ouvi uma pessoa falar de um dom. Um dom que nos liga a esse mundo a que me refiro. Um dom que sei, todos temos. Mas ali, naquele momento, pela simples menção, minha mente se voltou às lembranças dessas pessoas que descrevi acima. E assim eu lembrei de tudo que eu aprendi, e como foi bom.
Conheci a Patricia. Era ela quem disse ter esse dom. Minha prima Glenda, em seguida, afirmou ter também, um maior. Bobagem, os dons não são mensuráveis. Mas era Patricia quem me interessou, logo por tudo o que ela disse de si. Logo por todas as palavras inaudíveis com os ouvidos, mas perfeitamente audíveis com o coração. Há algo mágico nela. Agora eu posso dizer. Meu sexto sentido me diz coisas. Coisas que não me dizia a anos.
Esse final de semana foi ótimo.
Cheers!
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
O uso básico da razão
O cupido se enganou mais uma vez. Ele fez a mocinha ir no caminho do vilão, e o mocinho decapitou-se por isso. O pai do vilão não queria uma nora tão boazinha e expulsou o casal de sua casa. No caminho, a mocinha viu o corpo do mocinho decapitado. O vilão discursou sobre a maneira certa de se esquecer o passado. A mocinha levou o vilão pra casa, e eles transaram.
Onze anos depois ela tinha quatro filhos pra criar, e nenhum tostão no bolso. O vilão está preso, e contando os dias pra sair. A esperança da mocinha é um dia encontrar com o maldito cupido e acertar as contas. Nem que seja na outra vida.
E eu só observo.
Cheers!
Onze anos depois ela tinha quatro filhos pra criar, e nenhum tostão no bolso. O vilão está preso, e contando os dias pra sair. A esperança da mocinha é um dia encontrar com o maldito cupido e acertar as contas. Nem que seja na outra vida.
E eu só observo.
Cheers!
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Rebordose analítica
Eu dava sempre o último passo, dois a mais que o permitido. Naquela época era risível cometer tantos erros e não arrepender-se de nada. Era risível também a maioria das coisas que eu falava sem domínio do que se tratava. Esperava mudança, absoluta mudança, meus valores eram moldados aos poucos. A mudança trazia incertezas. Viver dá um cansaaaço...
A minha descrença exarcebada nos limites das pessoas me fez ultrapassar barreiras e aprender com aquilo. Carrego máculas no meu ser que é algo sem sentido, que as vezes eu olho e não compreendo. Um jogo, eu achava defeitos, e me devolviam tanto desprezo. Não é normal isso, é?
Cheers!
A minha descrença exarcebada nos limites das pessoas me fez ultrapassar barreiras e aprender com aquilo. Carrego máculas no meu ser que é algo sem sentido, que as vezes eu olho e não compreendo. Um jogo, eu achava defeitos, e me devolviam tanto desprezo. Não é normal isso, é?
Cheers!
domingo, 1 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
A Ópera Distante
O teu sorriso é meu. A minha imaginação é um mundo inteiro de imagens. E mesmo assim eu me perco todo dia inventando uma forma nova de te alterar, de te deixar tão próxima e ao mesmo tempo mais perto. Nossos amigos não nos encaram mais quando estamos juntos. Eles desconfiam da gente sempre que fazemos planos. Eles não querem mais a gente.
Eu não desejo mais o seu bom humor, mas me divirto com sua ira. Daí eu penso coisas sobre você, que aprendi somente por te contrariar: você sempre atende o telefone quando está com raiva, ainda mais se o número no BINA for o meu. Você está sempre lendo algum livro, mesmo que não esteja. A sua mãe te liga durante a madrugada, e você sempre chora durante a conversa. Seu pai sempre te liga antes do almoço, e você sempre desliga alegando estar com muita fome.
Algumas coisas de você eu não conheço. Ainda não está dentro de mim. E eu gostaria de saber se você faz idéia de que eu estou constantemente te sondando. E se eu estou mesmo em você...
Cheers!
Eu não desejo mais o seu bom humor, mas me divirto com sua ira. Daí eu penso coisas sobre você, que aprendi somente por te contrariar: você sempre atende o telefone quando está com raiva, ainda mais se o número no BINA for o meu. Você está sempre lendo algum livro, mesmo que não esteja. A sua mãe te liga durante a madrugada, e você sempre chora durante a conversa. Seu pai sempre te liga antes do almoço, e você sempre desliga alegando estar com muita fome.
Algumas coisas de você eu não conheço. Ainda não está dentro de mim. E eu gostaria de saber se você faz idéia de que eu estou constantemente te sondando. E se eu estou mesmo em você...
Cheers!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Maledicencia
À distância ela me parecia uma lembrança, uma boneca de porcelana, tão usualmente fabricada, branca. Os dias e anos iam passando por ela e só deixavam a impressão que ela era criança. Eu não a alcanço na prateleira de meus sonhos. Eu ganho...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Incorreto
O meu novo romantismo inclui flores e essências caras, uma música neo clássica ao fundo, e também uma boa garrafa de vinho. Algumas palavras ludibriantes e uma quase ênfase nas palavras mais adocicadas. Um pequeno luxo o lounge, pouca luz, e a inebriante dose de conhaque que você me ofereceu, tudo isso permitiu aos sentidos uma maior entrega, uma conquista. Movimentos lentos, um abraço, um beijo no seu pescoço, a certeza de que as mãos estavam tão sugestivas.
Naquela noite eu não havia pensado em ti como uma esposa, mas simplesmente como uma mulher. A diva da noite obstinada em me realizar. E eu, teu homem, era o esposo perfeito numa obra prima que via espelhado em teus olhos. Perante ti a alma se aquietou. Meu corpo é que se danou, uma noite inteira. A garrafa de vinho em pouco tempo fazia parte de nos, e uma sensação de que éramos uma completude desde nosso início.
Tudo começou porque você ainda me ama. E eu ainda a desprezo. Tudo começou porque eu não consigo impedir que você entre na minha alma e seque todo meu vigor. Suas palavras me agridem, e as minhas te enganam enquanto isso. A gente havia prometido não se permitir fazer promessas, se não quebrássemos a única que nos unia. A única que nos fazia tolerar sentir tanto um pelo outro, e não se permitir. Eu começo a achar tudo complicado.
Tudo começou com uma briga banal. A gente disse muita coisa. Como sempre, as coisas sairam do sentido quando começaram a fazer novo sentido. Você entende? A gente descobriu um mundo novo e brincamos de sermos somente o que nos permitíssemos ser. Só por uma noite. Mesmo após a briga.
Mesmo após a briga.
Cheers!
Naquela noite eu não havia pensado em ti como uma esposa, mas simplesmente como uma mulher. A diva da noite obstinada em me realizar. E eu, teu homem, era o esposo perfeito numa obra prima que via espelhado em teus olhos. Perante ti a alma se aquietou. Meu corpo é que se danou, uma noite inteira. A garrafa de vinho em pouco tempo fazia parte de nos, e uma sensação de que éramos uma completude desde nosso início.
Tudo começou porque você ainda me ama. E eu ainda a desprezo. Tudo começou porque eu não consigo impedir que você entre na minha alma e seque todo meu vigor. Suas palavras me agridem, e as minhas te enganam enquanto isso. A gente havia prometido não se permitir fazer promessas, se não quebrássemos a única que nos unia. A única que nos fazia tolerar sentir tanto um pelo outro, e não se permitir. Eu começo a achar tudo complicado.
Tudo começou com uma briga banal. A gente disse muita coisa. Como sempre, as coisas sairam do sentido quando começaram a fazer novo sentido. Você entende? A gente descobriu um mundo novo e brincamos de sermos somente o que nos permitíssemos ser. Só por uma noite. Mesmo após a briga.
Mesmo após a briga.
Cheers!
sábado, 24 de janeiro de 2009
Chorus
A alma de coisa alguma, a alma pequena e nua. A alma. Na alma. Hum, eu penso. Eu acho. Eu sempre acho. Da alma saem palavras. Não, somente frieza. Talvez.
Sinto muito pelo seu vestido. As flores é que são de vidro. Você não será sempre jovem. Me matar? Como segurar meus pensamentos. Esvazio a mente, não dá. Não dá!
O orgulho fez mais uma vítima ontem. Eu acho que não fui eu. Semprejovem para sempre, eternamente. Cheia de razão, não me deu bola. Não não não!
Pequena ópera, ojeriza dos homens comuns. Sou eu, no seu leito, ávido por novas histórias. Minha mania de palavras perfeitas, e você tão liberal em suas palavras cruzadas. Eu não entendi! Quem é que gostaria de entender. Aqui é tão vazio...
Cheers!
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Quer quanto por ela?
Falávamos línguas diferentes. Eu dizia "vamos ficar em casa", ela dizia "quero comer num fast food". Eu dizia "vamos parar de brigar" e ela respondia "eu não estava brigando, seu idiota". Falávamos a mesma língua. Eu suspirava "um dia... quem sabe?" e ela retrucava "porque não agora?". Eu dizia "te odeio" e ela "eu também". Eu setenciava "vou morrer sozinho" e ela dizia "ainda bem".
Não somos feitos somente de opostos. Já tive mulheres tão mais contrárias à mim, algo que eu só admitia por poucos motivos, grandes merdas. É pertubador saber que ainda ontem eu pensava em como nos saímos falhos em admirar um ao outro sem emitir opiniões. Ela me faz errar, eu a faço acertar. Porque sempre um dos lados pende a balança para baixo?
Cheers!
Não somos feitos somente de opostos. Já tive mulheres tão mais contrárias à mim, algo que eu só admitia por poucos motivos, grandes merdas. É pertubador saber que ainda ontem eu pensava em como nos saímos falhos em admirar um ao outro sem emitir opiniões. Ela me faz errar, eu a faço acertar. Porque sempre um dos lados pende a balança para baixo?
Cheers!
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Melhor dizer que sim
"Do alto dava para ver o pequeno jardim de ideias, numa profusão de palavras e poucas coisas. Do outro lado, voltando-se para o lado sul, havia um pântano de sentimentos. Eu havia ficado admirado com a impressionante beleza do jardim, mas meu interesse pelo pântano de sua mente era maior. Desci a escada sem cuidado algum. Não importava se eu ia cair, nenhuma queda me mataria."
Com essas palavras eu comecei a te deixar louca. Com elas eu comecei a criar o labirinto que você ousou entrar, tentando me buscar. Quanto engano. Eu não queria ser encontrado, e por isso eu deixava cada vez mais rastros, falsos caminhos, luzes lúgubres e sons inarmônicos. Você se perdia, e se desesperava, implorava para sair. Mas já era tarde. O meu pântano é mais assustador que o seu. Não adiantaria gritar por mim, eu gritava no mesmo tom, e não nos ouvíamos...
A um passo da completa insensatez, você retirou de mim a mais horrenda cria de mim, uma flor, minha poesia, agora marcada, fadada ao fim. Eu te dava os meus versos e te acalentava. Seguias o teu caminho dentro de mim, o pântano, com mais esperança e mais firmeza no passo. Beirando a loucura eu não havia notado a tamanha estupidez de meu ato: ajudava justamente a minha caçadora! Enquanto isso, teu pântano e teu jardim eram cada vez mais amistosos comigo. Eu havia me tornado um só dentro do teu ser.
Pena que você não perceba que, mesmo perdida dentro de mim, o pântano, eras parte de mim. Se você saísse, todas as armadilhas e caminhos, árvores e espinhos iriam deixar de existir. Nunca alcançarias o meu jardim, enquanto eu não te mostrasse, bússola, o norte de onde estavas. Eu gostava da ideia, jardim, de que você está em mim. E eu estou em você, pântano.
Cheers!
Com essas palavras eu comecei a te deixar louca. Com elas eu comecei a criar o labirinto que você ousou entrar, tentando me buscar. Quanto engano. Eu não queria ser encontrado, e por isso eu deixava cada vez mais rastros, falsos caminhos, luzes lúgubres e sons inarmônicos. Você se perdia, e se desesperava, implorava para sair. Mas já era tarde. O meu pântano é mais assustador que o seu. Não adiantaria gritar por mim, eu gritava no mesmo tom, e não nos ouvíamos...
A um passo da completa insensatez, você retirou de mim a mais horrenda cria de mim, uma flor, minha poesia, agora marcada, fadada ao fim. Eu te dava os meus versos e te acalentava. Seguias o teu caminho dentro de mim, o pântano, com mais esperança e mais firmeza no passo. Beirando a loucura eu não havia notado a tamanha estupidez de meu ato: ajudava justamente a minha caçadora! Enquanto isso, teu pântano e teu jardim eram cada vez mais amistosos comigo. Eu havia me tornado um só dentro do teu ser.
Pena que você não perceba que, mesmo perdida dentro de mim, o pântano, eras parte de mim. Se você saísse, todas as armadilhas e caminhos, árvores e espinhos iriam deixar de existir. Nunca alcançarias o meu jardim, enquanto eu não te mostrasse, bússola, o norte de onde estavas. Eu gostava da ideia, jardim, de que você está em mim. E eu estou em você, pântano.
Cheers!
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Adolesciência
retirado do antigo diário mais recente que a minha própria lembrança do episódio.
Eu ia correndo atrás dela, olhando aquela bunda linda. Dá vontade de apertar gostoso. Caiu a ficha de que ela só estava correndo porque eu havia dito tantas e tantas bobagens. E ela acreditou.
Alcancei o passo dela. Juro que só demorei mais porque fiquei hipnotizado com aquele conjunto cintura+bunda gostosa. Então, ainda correndo, ofegante, eu disse: ela não vai chegar! Ela me responde: era pra ela ficar com você! Daí eu paro!
Eu paro e penso. Era pra ela ficar comigo? Eu penso, engulo seco. Era pra eu esquecer toda a minha sacanagem e pensar no que uma guria queria dizer com aquilo? Quer dizer, o que ela quis dizer mesmo? A doida da J. queria ficar comigo, ou era pressão da Di? E o que importa, se eu nem quero mais nada? Não quero?
Cheers!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Rir do ridículo II
O Capítulo Dois vem após o final do Três.
CAPÍTULO DOIS
O casal briga. Ela quer comer as comidas finas que ela mandou a empregada fazer, já ele quer somente a cream cracker que está no pote. Ela grita e ele gesticula mais que ela. A empregada concorda com a patroa. Óbvio, ela não quer perder o emprego por omissão, isso daria uma justa causa. Ele convence a empregada que ele está certo. A empregada concorda com ele. Óbvio, ela não deseja ser injusta.
Ela vai para o quarto. Ele ataca o pote. A TV conta uma história daquelas que só acontecem na Palestina. Ele se interessa, vai ver. Ela volta do quarto, tem um livro nas mãos. Joga o livro no colo dele, que pula de susto. Ela manda ele abrir o livro. Não é um livro, é um álbum. Não é um álbum, são velharias, pensa ele. Ela grita mais. Ele respira fundo a cada foto. A empregada sai para fazer uma compra. Ele desliga a TV. Ela escorrega para o lado dele. Ele se afasta. Ela chega mais perto. O pote cai no chão. Ele levanta e sai de perto. Ela mente. Ele acredita. Ela sorri. Ele mente.
Ele folheia o álbum, fica triste. Ela junta o pote do chão. Ele roça os dedos dos pés no tapete. Ela levanta e aponta pra uma foto. Um rapaz de óculos, uma moça muito branca e um magrelo. Ele balança a cabeça, negativamente. Ela fala a verdade. Ele mente. Ela conta outra verdade, ele nega. Ela se cala, ele mente. Ambos estão emocionados. Lentamente a mão dele busca a dela. Ele não tem o coração de pedra, pensa ela. Aliás, provavelmente pensou. Ele fecha o álbum. Ela amarra sua mão na dele. Ele olha. Ela mente, ele também. Ele vai até o pote. Ela até o quarto.
A empregada chega. Pergunta se já está tudo bem. Ele fala a verdade. Ela mente. A empregada suspira. Deseja ter a mesma sorte dele. Ele fala mais uma verdade, dessa vez cruel. Ela agita a cabeça, afirmativamente. A empregada faz uma cara de quem mudou de idéia. Deixa as compras no balcão, serve um copo d'água e bebe. Ela entra no quarto, batendo a porta com força. Ele vai até a empregada e a apalpa. Ela corresponde. Ele sorri. A empregada também. Ele combina o horário de saída dela. Ela confirma. Ele vem busca-la para o curso de informática. Ele pisca pra empregada, mas ela se vira. Ele vai até o quarto, para se explicar. Ela deixa. Ele mente. Ela acredita. Ele fala algumas verdades, entremeadas de mentiras. Estratégia. Ela chora. Ele chora.
O casal transa.
Cheers!
(qualquer semelhança com a realidade é mera expectativa de sua mente)
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