sexta-feira, 2 de maio de 2008

O conselheiro de Bangd

Lutamos em vão por um punhado de respostas, e nos demos por satisfeitos por um ramalhete de flores compradas num laboratório de felicidade, e nos exaltamos pela rotinas do seu computador falho, e mesmo assim nos demos ao luxo de sorrirmos dos nossos próprios defeitos. Sim, afinal o infernos são os outros. Não perderemos o tom de nossas vozes por mais um segundo de incerteza, ou pelo menos pelos antigos motivos.

Não buscamos nossos corpos, eles se atraem naturalmente. Agora eu percebo que é perigoso te olhar nos olhos. Perco o total controle que minto dizer que tenho. Esqueces o quanto estás brava quando retribui o afago. Nos esquecemos das brigas, somos somente os amantes. E ocasionalmente somos os apaixonados. E mesmo por isso somos, e permanecemos sendo, uns conectados...

Minhas analogias, sua discrição, minhas excentricidades, seus mimos, as minhas frases, seus sussurros. Parte da soma, e parte da multiplicação. Queres mesmo que eu seja direto, que eu perca todo o meu lirismo? Por que andas tão antagônica? E quantos verbos de minha verborragia antipática você ainda vai querer ouvir?

Desse jeito eu me canso. Dessa forma eu te cansarei com o que tenho a dizer. Afinal de contas, ninguém nunca se mostrou tão paciente comigo, e suas dúvidas também já me cansaram. Onze dias eram o princípio, onze semanas é que se passaram...

Vá, dê o segundo passo, minha filhinha...

Cheers!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A impressão pós traumática

O primeiro passo para a ruína desse velho escriba que vos escreve é a imaginação fulgaz e a determinação em transformar a usina de idéias que me habita a mente em tantos e tantos textos absurdos e nem um pouco usuais. Me dá um prazer muito grande saber, e isso não é frutífero, que ninguém compreende o que eu escrevo. Estou sempre me aperfeiçoando, a cada dia mais próximo de uma narrativa caótica perfeita. Ou o que seja...

Feitas as primeiras bizarras considerações...

Amor meu,

embora sejamos tão próximos e felizes, ainda assim existirá um divã entre nós que não nos permitirá vivermos nosso amor em sua totalidade. Somos quem queremos acrediar ser, e mesmo por isso nós nos assumimos como "felizes" espectadores, pois até os problemas mais banais nos afetam. Não adianta sermos diferentes, somos diferentes demais. Existe uma ética entre nós que nos distancia, e é justamente a pior das hipóteses aquela hora em que resolvemos discutir a relação. Eu sou aquele que nunca acredita e você é aquela que desacredita nas mudanças com facilidade.

Eu sei que é difícil pra mim, eu sei que você percebe isso. Sabes que eu também sofro, embora em silêncio. Até por isso eu não possa dizer "nunca mais", e você, "tanto faz". Nunca poderemos ter os três filhos que somam minha vontade à tua. Nunca poderemos saber como é acordar ao acorde dos primeiros sóis de nosso casamento. Nunca seremos os totais arrogantes que se tornam os casais de décadas de união. E, aliás, nunca estaremos unidos por um pacto...

Ao mesmo tempo que perdemos muito, pouco sobra para contar ou compor uma história. Amanhã não lembrarei mais de você, e chorarás por mim dias sem que eu sequer saiba. Em duas semanas meu coração será de outra, e o seu estará como esteve quando estive contigo, fechado e insensível...

Portanto, amor meu, não perca tempo. Vamos recomeçar?

Cheers!

terça-feira, 29 de abril de 2008

O trabalho árduo

Novamente eu me surpreendo com o material que escavei do meio dos cadernos mais antigos...

Não deixa de ser divertido, e objeto de muita curiosidade de minha parte, o processo que eu compus para "desenterrar" os textos. Um index de tudo aquilo levaria um ano, no mínimo... e ainda assim sinto que não ficaria satisfeito. Afinal, para exemplificar, o rascunho #22 faz referência ao #37, e não o contrário. Eu sempre fiz coisas assim: escrevi no passado coisas sobre o futuro. Mas é claro que isso só é viável porque se trata de um universo outro, paralelo, fictício. Na vida real, não sei não.

No #22 eu encontrei os fundamentos das primeiras histórias e anotações do surgimento de uma "capital geral", algo como "principal capital" do "Reino", nome que eu dava para o que hoje chama-se o continente de Solari. Essa capital a que os textos se referiam era, ora pela localização, ora pela caracterização da própria concepção, a tão-amada Solari-hun, a maior das capitais, no centro do continente inteiro... Já no #37 as coisas já estavam menos definidas, e há passagens que excluem os anões dentre os povos formadores. Uma curiosidade no texto #37 é o surgimento do primeiro nome próprio que eu criei, Almanessa, o nome da área onde Solari-hun foi formada, na beira dO Rio, fortemente protegida pelas muralhas. Esse nome se tornou um marco. Por muito tempo era o único que permaneceu sem alterações, e sempre designou aquela área, como é até hoje. Já o segundo nome foi o de Leturgis, à época a rainha de Almanessa...

Farei outras observações nestes riquíssimos textos... eles são muito confiáveis.

Cheers!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Primeiras pesquisas

Fiz a pesquisa sobre o primeiro texto sobre Solari, até porque o original não existe mais. Diante uma pequena pilha de rascunhos antigos, e um exercício de memória abissal, eu posso afirmar com certeza algumas coisas que eu já havia esquecido...

O primeiro texto de Solari (que ainda não tinha esse nome) falava de uma rainha que era acusada por um lorde (sem identificação com o auto-entitulado "Lorde do Caos") de ter assassinado o seu próprio filho, o herdeiro, para levar a filha, mais querida, ao trono. É basicamente isso. O lorde, que possuia o poder de levar a rainha a juízo (mais ou menos como um senador da república), fez a acusação durante uma grandiosa palestra da própria rainha, já que o rei estava infeliz...

O impressionante foi que, durante a minha pesquisa, eu encontrei no rascunho #47 uma citação dessa história que dava a entender que essa rainha era rainha de Coradeh, um reino que, hoje, ainda não decidi a existência, nem a semântica de seu nome. À época, Coradeh foi a cidade que se originou no lugar onde houve a Batalha das Duas Grandes. Mais tarde eu decidi que essa área se tornou um deserto cheio de perigos, o lugar mais maldito de todo o continente, chamado Her Sumira. No rascunho #49 há uma pequena citação, que eu não lembrava, que dizia "o reino de Fogo perdeu seu príncipe para os bárbaros" (de Sóter?), e, mais na frente, diverge quando cita "os espiões da rainha" como assassinos do príncipe. Daí o mistério para mim: eu havia feito um rascunho pra confundir a mim mesmo???

O que é claro, nesse texto é que não haviam nomes prováveis pra ninguém, mas a localidade foi descrita, ao que parece. Eu me lembro de ser à beira de um rio (será O Rio) e que havia uma floresta dElfos, ou, como na antiga escrita que eu dava pra esse nome, o povo eofo. O rascunho #16, do caderno #1, texto que não foi perdido, fala um pouco dos três povos livres como sendo humanos, anões e eofos, nessa ordem de surgimento. Mais tarde eu mudei para anões, elfos e humanos, como permanece até hoje...

Ainda tenho o que pesquisar. Me entusiamei muito com o que li, e já dá vontade de voltar a escrever mais sobre Solari...
Cheers!

sábado, 26 de abril de 2008

O criado-mudo

Ontem foi o dia em que me tornei palhaço pras crianças, palestrante pra padre e ombro amigo de desconhecida... um dia normal na minha vida.

Fui defender o texto (hehehe) entitulada "Equilíbrio Distante" que escrevi ano passado, falando sobre diversas coisas que urgiam dentro de mim. Como eu havia mandado o texto integral para um amigo, ele me convidou para, ontem, defender o texto e minhas opiniões num debate, num painel de discussões onde estavam predominantemente padres da Católica. Fui lá e falei. E foi oportuno, porque eu precisava de uma visibilidade do que a Igreja pensa sobre o que eu falei...

Lá também tinham crianças, de uma creche ali perto, que usavam o espaço para brincar. Na hora da ausência da "tia", eu fui lá e servi de palhaço, fui o "tio" deles por uns minutos...

Mais tarde, após o debate, fui na casa da Loura. Mas isso é um fato pra passar desapercebido neste blog, merecendo somente esse pequeno comentário: falamos o que não devíamos, ouvimos o que não queríamos...

Já de volta ao meu bairro, mergulhei de cabeça no Pondera, mas antes que o tal fizesse efeito, servi de ombro amigo pra uma amiga de uma amiga minha... e foram necessárias as já costumeiras grosserias minhas pra que ela me largasse um pouquinho. Afinal eu tô fazendo Filosofia e não Psiquiatria Clínica... hunf!

Cheers!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Solari 10 anos!

Hoje, sem pompa e nem mistério, o cenário Solari está completando 10 anos.

Em 1998 eu comecei a criar, outrora inspirado na minha meteórica iniciação ao RPG, um universo medieval cheio de clichês malignos e nem um pouco original. Não haviam nomes, não haviam porções de textos e tampouco os famigerados e indecifráveis rascunhos. Meus cadernos, naquela época, eram no total uns dois. Hoje os cadernos que contém algum material solariano já são mais de sete. E, acreditem, até mesmo para mim é difícil realizar sozinho a obra toda de reuni-los...

Ainda me lembro, e gostaria de dizer "como se fosse hoje", o primeiro tema que "fundou" Solari, e pelo menos alicerçou as primeiras bases de Fradeh (sim, Fradeh foi a primeira cidade a ser citada). Era uma pequena história que falava de uma vila, a princípio chamada Fader (com a pronúncia do inglês father, pai), que era atacada por uma horda de orcs, liderados por um senhor das bestas ainda sem nome àquela época, e que chacinava os povos livres. Essa primeira história já se perdeu, no saudoso caderno #1, juntamente com o mapa que eu desenhei na escola(!) e pintei com lápis de cor... nesse caderno também haviam os escritos mais antigos sobre o Gox e o amigo-dos-dragões (nossa, eu nem me lembrava disso). No futuro Gox e o amigo-dos-dragões se tornaram a mesma pessoa, e Gox cresceu acompanhando uma evolução de minhas preocupações narrativas...

Então, para comemorar, mesmo que sozinho, a essa década de muita imaginação, tentarei falar, nos próximos posts, sobre o início de tudo, as histórias antes da história, a erupção de um mundo incrível chamado Solari.

Cheers!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Mostruário

Solte-me quando puderes...
solte-me assim que quiseres
logo eu estarei disposto a perder
e admitir que também perdi...

Saber que estamos numa difícil encruzilhada não é algo ruim. É ótimo ter opções. Mas eu nunca ia imaginar que eu ia querer somente uma opção. Não pra mim, mas pra você...

É tão difícil entender isso?

Cheers!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Um Olhar

Era importante dizer tudo o que eu pensava, usando toda a minha capacidade de expressão. Eu tenho a tendência a complicar tudo "ao cubo" e isso era algo que eu não podia admitir naquela hora. Respirei fundo, mantive a postura, e comecei a entoar os mantras que eu ecoou dentro de mim...

Daí em diante minha energia fluiu, levemente, pelos caminhos do corpo. Você tem que estar muito relaxado, livre das travas que uma mente desconcentrada tem. Tudo partia do centro, e fui direcionando minha enorme energia, e ela dançava dentro de mim. Para trás e para frente, rítmica em velocidade constante.

O Metal se movia dentro de mim, lentamente. O Ar era o impulso, e tudo se dava mergulhado na Água de meu corpo. Concentrado, eu pude perceber minhas dores, e meus medos físicos estavam evidentes à mim naquele momento. E me expressei com tamanha precisão que nenhum médico poderia dizer de mim o que eu poderia naquela hora.

Sábado eu tenho um encontro...
Cheers!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Adeus, querida!

Um brinde, querida, a você e seu garoto amado. Sim, um brinde, querida, porque esperei anos por você. Um brinde, querida! Seus sinos de casamento ressoam em meus ouvidos... Um brinde, querida. Você me dá três cigarros para que eu pare de chorar...

E eu morro quando você menciona o nome dele.
E eu menti, eu devia ter te beijado quando estávamos correndo na chuva.
Ah! Eu sou um covarde!

O que eu sou, querida?
Um sussurro em seu ouvido?
Um pedaço do seu bolo?
O que eu sou, querida?
O garoto que você pode temer?
Ou o seu maior erro?

Um brinde, querida, a você e seu homem amado. Outro brinde, querida, eu fico por aqui, disposto a tudo. Um brinde, querida, e pra você eu toco uma canção em meu violão. Um brinde, querida! Eu tenho uma rainha da beleza pra sentar não muito longe de mim...

Eu morro quando ele aparece para te levar pra casa e te fazer dormir.
Mas eu sou tímido demais... eu sou um covardão!
Devia ter te beijado quando estávamos sozinhos...

O que eu sou, querida?
Um sussurro em seu ouvido?
Um pedaço do seu bolo?
O que eu sou, querida?
O garoto que você pode temer?
Ou o seu maior erro?

Oh, o que eu sou? O que sou eu, querida?
Eu esperarei por anos...

livremente inspirado na letra Cheers Darlin', do Damien Rice.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A caixinha de fósforos

Diretamente da casa da diretoria, com um drink à mão, e uma boa massagem nos ombros...

Eu já falei que eu não sou somente um. Eu sou vários. E cada um de mim tem a autonomia de um só, e todos são ainda mais, somos vários. Por mais que eu tente igualar um de mim a outro de mim, não há a menor possibilidade de entendimento, e assim desprende-se a consciência particular de cada um que eu sou. Não dá pra me resumir a somente um, quando o que urge dentro de mim são vozes, e os ecos dessas vozes...

Dia desses eu assisti ao filme
Melhor Impossível, com o Jack Nicholson e a Helen Hunt, ambos ganhadores do Oscar de, respectivamente, Melhor Ator e Melhor Atriz por esse filme. Era um filme que mexia comigo, pela crítica, e pelo fato do Jack fazer parte dele. Os amigos que já haviam assistido gostaram, e eu sempre tardo pra ver bons filmes...

Bom, o que me deixou mais pasmo foi uma coisa, pra mim, muito bizarra.
Melvin Udall, o personagem de mister Jack, é um personagem perfeito! O filme todo eu me identifiquei com ele, em diversos momentos. Ele é, impressionantemente, a minha pessoa. O humor dele é algo próximo demais do que eu estou me tornando esses tempos... e a cena do jantar com a garçonete, é a essência dos rumos de mim e meu coração. Aquele filme, definitivamente, me resume em algumas cenas...

Não conseguimos dormir, eu e meus outros, eu e meus eus... pensamos a noite toda em
Melvin Udall e sua verossemelhança com o que há de perfectível no universo, no quanto ele era assutador porque mostrava em filme uma parte irrevelável de mim... e pensamos também em como haveria de ter um final pós-filme, se EU fosse o personagem...

Eu sou muitas pessoas, e adquiro centenas de novas faces conforme vou me vendo no espelho. Ver-se num filme é dar pra todos de mim uma visão de que há algo em comum em todos nós. E essa idéia conforta um pouco, porque o pandemônio interno é indescritível, e qualquer coisa que se diga pra um não diz respeito ao outro. Temos sempre que dizer novamente, para que todos de mim consigam compreender por si só. E
Melhor Impossível se tornou uma língua comum a todos...

Cheers!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Modus Operandi III

Antes de conceber o tal post polêmico, Flora, eu havia me certificado de algumas coisas: a teórica, a princípio; a prática, mais extensa; o silêncio, ou "o inédito"; os resultados, frutos de anos solitários...

Era pra ter sido um texto pueril sobre a banalidade do amor, mas com a crítica da sexualidade. E nada melhor pra se deturpar um assunto dessa profundidade, um sentimento, do que confrontar ele com dados da ciência. A ciência sempre deturpa os sentimentos. Ela sempre contribui para si quando deturpa aquilo que ela não compreende.

Veja bem: é como botar os bichanos pra brigar. Você assiste, se diverte um pouquinho, e no final anota no seu bloquinho o que viu, as suas impressões... então, visto assim, não passarão de impressões os seus relatos. A briga teve sangue, mas você só omite aquilo que quer, ou seja, o sangue pode ou não ser relatado. E assim eu não dei a justificativa pra defender o lado sentimental, o próprio amor. Se eu não quero que você saiba de alguma coisa, não direi. A ignorância não é linda??

Fostum Rotum Agnomático si é um embuste muito bem construído, muito bem amarrado. Eu me lembro que levei dois dias pra escrevê-lo no meu rascunho. Traduzindo pro português (ignore o idioma que eu usei), o título significa, ao pé da letra, "Discurso Contra o Amor-fogo é".
Fostum = Contrário, Rotum = Discurso, Agno+mático = Amor-fogo, si = ser, estar.

Explicada a parte linguística, eu diria que este post é totalmente o guia mais interessante no meu relacionamento atual... afinal eu posso dizer que eu fui totalmente tomado pelo instinto quando escolhi a Fabiane pra ser a minha fêmea...

Lobos gostam de fêmeas... e do feromônio delas...
Cheers!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Ex-inspiração

Eu tive uma breve "iluminação" naquele momento. Fui pego no ato da inspiração (a da respiração, não a da imaginação), e logo a expiração estava comprometida... nesses momentos eu costumo avaliar a situação a ponto de sair um pouco de órbita. Eu vejo de onde posso tirar uma lição, eu analiso cada coisa.

Inspiração, retenção, expiração. É o ciclo do ar nos pulmões. Ele entra, toca o espírito, que aumenta a chama, e sai, purificando tudo por dentro. O ar é o nosso elo com o exterior, pois toca tudo que nos rodeia antes de passear pelo nosso íntimo. É como a luz nos nossos olhos: antes de percebermos a luz, ela tocou a superfície de tudo o que vemos, e nos proporciona interagir com tudo. E essa foi a iluminação que eu tive no momento em que a vi, emoldurando a porta com sua silhueta fantástica.

Não era mais, a partir de então, uma loura nauseabunda com bobs no cabelo. Era a mulher que está me transformando por dentro, levando todo os seu bom humor e jeito de ver o mundo estático onde ela está inserida. Ela me observou, pasma, e indagou: por que você está me olhando desse jeito?

Eu não pude responder que, naquela fração de segundo, eu havia sentido dezenas de sensações de descoberta, e sentido que ela estava, sem esforço algum, tomando conta do que os mortais chamam de coração. Aliás, eu não quis responder.

Assim eu aprendo coisas que ninguém pode revelar. Assim eu consigo possuir conhecimentos que ninguém mais poderia saber, porque são meus, são pessoais... e vivo...

e vivo!
Cheers!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

In-expiração

Eu fui lá e fechei os olhos. Odeio surpresas, mas a iluminação, os gestos, o silêncio dentro da casa, o silêncio fora da casa, a trilha de indícios, a porta semi-cerrada, absolutamente tudo me levava a ir. Té o gato pardo da vizinha não fazia barulho na cozinha...

Eu entrei bem devagar, observando que nada do que eu queria estava lá. Ou seja, eu não ouvia minha consciência me avisando "você está perigosamente entrando em território desconhecido". Parti pra outra abordagem.

Tirei os óculos da preguiça e comecei a observar, levantando dados, meias, calcinhas e muitas revistas. Encontrei remédios, presilhas de cabelo, tampas de perfumes e outras coisas. Os cheiros eram todos uns misturados, alguns tão singelos outros tão pesados. Então minha mente começou a fazer poesia com a visão que eu tinha daquele lugar. Eu sempre faço poesia dentro de mim, e a metade disso é tão noir...

Fui olhar a cama. Ou melhor, o leito. Pralguma pessoa desavisada aquilo pareceria fruto de noites de febre alta e delírios. Ainda havia a moldura de um corpo naqueles panos. Com um toque eu pude sentir a umidade, além de saber que estava recém abandonada a cama. Com outro toque eu pude sentir um calor que se ia com o bafo gelado do ar condicionado. Aliás, era o ar que mistificou aquela minha experiência: ele estava ferino, animal, sanguíneo...

E quando eu achava que o barulho da porta atrás de mim revelaria a musa de toda a poesia daquele momento, eis que me aparece... uma loura nauseabunda com bobs no cabelo!

Eu realmente viajo na maionese.
Cheers!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Narciso Não!

Acordei me achando feio, levantei, fui pra frente do espelho e fiz umas dez caretas de repúdio. Estou muito feio hoje. E eu sempre ponho a culpa no meu cabelo, tadinho. Nasceu assim e quando cresce eu só passo a máquina.

O que é praticamente inaceitável é receber minha tia e ouvir ela dizer que eu "estou mais gordinho". Um comentário daqueles do tipo que se faz pra agradar, sem sucesso.

Então eu vou tentar ocupar minha mente com trabalho, e mais trabalho, e muito mais trabalho. Acabei de teclar com o Pedro Valls, ele sempre me diverte, e não estou com saco pra trocar mensagens no orkut. Então hoje, nesse dia em que me encontro especialmente feio, vou tocar a vida com trabalho, trabalho, mais trabalho e muito mais trabalho.

Cheers!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Dois em um

Um perfume levemente amadeirado, que me lembrava rostos do meu passado. Eu persegui o cheiro até o quarto e a encontrei vestindo somente uma toalha, e perfumava-se. Borrifava o perfume com cuidado, sem nenhuma pressa. Pude ver pelo espelho seu semblante cansado, fruto de um dia extenso de trabalho, mas não era isso que me preocupava naquele momento.

Ela vestiu-se e nem se importou de me ver fuçar em suas coisas, virou-se, deu um sorrisinho e me pediu pra ajudá-la com o sutiã. Era o momento certo para investigar todos os motivos que lhe abalavam. Mas eu preferi ficar calado.

Ensaiamos o repeteco da noite maravilhosa que tivemos na semana anterior, mas nem ela nem eu estávamos com humor e disposição. Fomos assistir a um dvd, como qualquer casal em ritmo burocrático de rotina. Acho que ela me ama...

Então: novamente a personagem de minhas palavras é a Fabiane, minha nova-musa inspiradora, que está comigo a cinco meses e surpreendentemente feliz. Era dela de quem eu falava no post anterior, Flora Valls. E não poderia ser de outra pessoa.

Cheers!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A Tela por trás do Espelho

Sim! Ela me surpreendeu com diversas perguntas, dengos, respostas, e uma disposição para falar incrivelmente ligada ao álcool da bebida que eu dava pra ela. Motivada a cantar, ela cantou. E se arrependia, às vezes, pois estava vendo os fios da realidade, e descobria verdades quase sozinha.

Bom, eu sei que eu naturalmente trago as pessoas para o meu lado caótico, eu sei que eu corrompo boa parte daquilo que acreditam ser "seguro" acreditar. Ela nem percebeu mas estava sendo guiada pelo longo corredor de insanidades que eu produzo, que eu alinho, que eu mostro praquelas pessoas dispostas a percorrer.

São corajosas essas pessoas. Eu não as culpo de serem corajosas, afinal são os covardes que, em maioria, sobrevivem sem dor e na apatia. Admiro de verdade gente assim, que tem coragem de aceitar um convite meu ao desconhecido e arriscar-se às descobertas. Seria tortuoso, e inadmissível se não fosse tão interessante e exótico.

Agora sei de uma penca de coisas, tudo porque uma pessoa se deixa levar por outra, porque acredita confiar em alguém apostando somente nos seus valores, acreditando saber avaliar quem sou eu, o que faço, o que sou, como respondo e quais os meus interesses. Ela é demasiadamente confiante, e isso me possibilita ter espaço para urgir com minhas palavras as coisas que pretendo ser úteis, e que pretendo para mim também.

Existem muitos mais outros Lobos como eu nesse mundo. E eu a informei disso. Por nada no mundo eu gostaria que ela achasse que sou o único a fazer isso: ver o defeito, a fragilidade das pessoas e fazer algo com isso. A minha intenção é sempre mostrar alternativas, e não confundir...

E para ilustrar o que eu digo, um trecho de House of the Rising Sun...

"Oh, Mother, tell your children
Not to do what I have done.
Spend your lives in sin and misery
In the house of the risin' sun."

Obrigado às minha leitoras Flora e Laura. Esse blog ainda respira por causa de amigos como vocês!!!
Cheers!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

100º Post !!!

Logo no centésimo post eu fico sem a menor boa notícia para dar, sequer uma patada na cara de ninguém, ou uma grosseria pra falar, uma historieta pra contar, citações...

Na verdade eu não gosto de comemorações que rodeiam coisas inepalpáveis como esse blog.

Então é melhor que eu repita algo que fiz num post muito antigo

TOUCH ME, I'M SICK!

Cheers!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Modus Operandi II

Às vezes, Flora Valls, a pergunta é menos importante que a resposta. E no caso da que você fez no comentário ao post anterior, a resposta é relativa. Vou explicar o porquê.

O nome da indivídua de quem eu falava no post é Maria Eugênia. Ela foi minha última namorada, a oito anos atrás. Na última sexta teve festa na UFAM e na volta eu a encontrei no busão. Na rápida conversa que travamos, ela me falou que não falava com a família dela, que estava com algum problema, e eu presumi algumas coisas. Fiquei logo preocupado com a família dela, e algo do tipo. Combinamos então no domingo dela ir lá em casa, deixei meu número com ela e dei certeza de que não sairia de casa. Ou seja, eu estava totalmente solícito a ela...

Mas ela não veio. E é isso que eu contei no post. Té a chuva conspirou contra.

Embora tenha sido o tema do post, a Eugênia não é a única mulher ali comentada. A pessoa com quem estou agora, com grandíssimas chances de namoro, rs, também é comentada. Eu sempre faço isso. Misturo duas histórias simultâneas, às vezes opostas, e vejo no que dá. E geralmente dá em algo beeem a cara desse blog, totalmente nonsense e de mau gosto.

Agora, como eu sempre falo, perguntas geram respostas, mas respostas geram mais perguntas... daí eu pergunto: quem é a mina que eu estou agora??

Cheers!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Pós Impressões

Ela me deu uma esperança um pouco insuspeita. É claro que eu não estava sóbrio, mas fazer o quê? Era a boa oportunidade que eu queria... e olha que eu cheirava a cigarro sem ter posto um único pra fumar na boca.

Mas eu sempre tenho cigarro nos bolsos...

Então eu passei o dia inteiro pra descobrir que eu ainda sei esperar esperançoso por quem sequer lembrou que eu existia, naquele dia. Um pouco de gelo e dois remédios pra dor de cabeça, e tudo passara com uma longa conversa ao telefone com uma amiga. E por mais atento que eu estivesse, o temporal de ontem foi incrivelmente oportunista.

Causa uma ferida muito grande tentar atravessar the thin line between love & hate, mesmo se tendo protegido das diversas surpresas dessa vidinha repetitiva. Mesmo eu que sei que the path to excess leads to the tower of wisdom resolvi reviver, na mente, um passado que me ensinou mais sobre minha força do que sobre minhas fraquezas...

Ainda bem que ela não veio. Mas tomara que venha hoje, ou amanhã, ou que pelo menos ligue... o que não posso fazer é ficar sem esperanças insuspeitas...

terça-feira, 25 de março de 2008

A Tempestade

"Do alto da Évora, naquela tarde alaranjada, Autum fez seus últimos versos antes de deixar O Terceiro Plano dO Andaime. Toda a côrte pode ver em seu rosto a tristeza da despedida, e a sua Lírica não tocou naquele dia. Contaram quantas casas foram destruídas pela última vez, e mais uma vez choraram pelas mortes.
Colûm não permitiu que se mexesse na terra onde sua amada havia morrido, e construiu lá um enorme monumento de pedra, mas sabia que ali ninguém mais voltaria, nem para ver, nem para somente visitar.
E da Évora, Autum, que ia na frente, deu sua última olhadela pelas ruínas do seu antigo Jardim, e chorou."

Mais um sonho solariano. Digamos que eu nunca mais vou querer sonhar com isso novamente. Está difícil ter esses sonhos e pô-los no papel. Um exercício conjunto, confuso e muitas vezes não notado. Aliás, raramente notado.
Próximo post eu escrevo sobre mim, do mundo real...

Cheers!